domingo, maio 22
Em tom de cortesia.
Uma lágrima solitária escorre sobre minha face. Sai de dentro do rubro dos olhos cansados. Centímetro à centímetro sobre a barba cerrada. Não é o bastante para se redimir, mas o suficiente para extinguir o peso da dor da culpa da consciência. Para cada centímetro em direção ao chão da maçã de Newton, sobre a maçã de meu rosto, um mundo mais vivo, colorido e real surge. Mais propício, com veredas e singularidades.
O sorriso recebe essa lágrima de lábios abertos, agora. Pois não são só de olhos tristes que vive um semblante. Choros de alegria também existem, também formam-se constantemente, diariamente. Repentinamente. Vejo então, coisas além das trtistezas, das dores e da solidão. Vejo que por mais que pareça, agora, uma pessoa com ferimentos horriveis na alma, sentado, ouvindo uma melodia qualquer e enrolado no seu edredom, há comigo um alguém com compaixão infindável, sentimentos ímpares e paciência sobrenatural. Lembrando-me de que devo agradecer aos céus todos os dias por ainda ser esta mesma pessoa que fui desde sempre. Que a sociedade capitalista e completamente contaminada pela avareza ainda não me seduziu e tão pouco me corrompeu. Por mais que haja ocasiões em que temos que nos defender como Robin Wood, cometendo pequenos delitos e revidando à mesma moeda, todos os problemas são resolvidos e todos os verdadeiros ideais e índole mantidos.
Apesar de sempre conseguir me reerguer sozinho, ultimamente tenho um motivo a mais, uma companhia a mais, uma força a mais, para me manter sempre em linha reta. Pois não há problemas que não se dissipem quando esses momentos são vividos e aproveitados. Um abraço acolhedor, quem sabe mais pra frente, palavras de carinho, piadas, sorrisos e alegria. Tudo isso dentro de um ser humano. Ser sentimental, móvel e pensante. Algo que, cada vez mais, cresce um pouquinho, como aquela planta que a chuva rega todos os dias, como o sorriso que os olhos regam todos os dias. Sem palavras, sem ações.
Portanto, desta vez, não venho aqui para dizer algo e deixarem todos pensando o que quiserem. Quero simplesmente, humildemente, racionalmente, agradecer a cada dia, cada palavra e cada conversa que fora me proporcionada. Que o mundo gira e quem é bom pra nós fica. O que é bom pra nós haverá de ficar.
Mais uma peça no quebra cabeça que encaixa, mais uma lágrima que rega, mais uma batuta que rege. Mais um acorde, mais um sopro. Mais uma sinfonia. Mais uma frase sem sentido. Mais um "oi", mais um sorriso, mais um adeus. Mais um dia. Mais do mesmo. Mais eu quero. Mais e mais. Sempre.
Reedição do texto "Gotas que alimentam" , de 17 de abril de 2010
Com as devidas modificações que a ocasião exige.
Dedicado especialmente à Stephanie Moura. "rs :D"
Muito Obrigado. "Nova-mente" (Y)
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segunda-feira, dezembro 6
Recordar é viver. É reviver.
Passado.
A saudade que há muito entristeceu, também acalma e melhora os ânimos diante de tanta dor e infelicidade, certas vezes. Relembrar sem a vergonha adolescente é divertido e sincero. O que pensávamos naquela época? Como nos víamos? Como víamos um ao outro?
Como pode sair da minha memória aquela baixa estatura, cabelos negros e lisos até os ombros, dotada de um sorriso misterioso, radiante e ansioso para me ver. Trajada com jeans e blusa preta, rosto sujo de ketchup, lançou-me um olhar de reprovação logo ao me ver. Havia deixado-a esperando por mim durante duas longas horas, enquanto eu observava-a de longe, rindo, enquanto nos falávamos no celular. Uma Siqueira Campos que protagonizou algo inédito e único. O único encontro de "sei lá o que" com "sei lá quem".
O sol do verão intenso foi a testemunha que compartilhou comigo as primeiras palavras da senhorita que me aguardava.
" - Se importa de me beijar após eu ter comido um cachorro quente?"
Como eu me importaria com esse detalhe? Mesmo que breve, fora um beijo inesquecível. Marcou como tatuagem o que era pra ser escrito com giz.
Presente.
É de importância singular poder recordar esses fatos. Aconteceu, mas faz tanto tempo que muitas coisas se perderam em nossa memória. Gargalhadas sucessivas a cada lacuna preenchida da história. Recordar é mais do que viver, é reviver. Algo que não se faz sozinho. Algo que não se consegue ter o mesmo resultado sozinho. Recordar em par é reviver e sentir, de forma lúcida, tudo o que já não existe mais.
Futuro.
É confortante saber que o que passou, simplesmente passou. Não volta mais e nem nunca vai voltar. Por mais que o futuro cruzam os caminhos das pessoas em determinados momentos, nunca, jamais, será igual ao que foi um dia. Compreendo que é um sonho poder ter em meus braços aquela menina metida a esperta, metida a beat, com o sujo completamente salpicado com ketchup, sorrindo daquela maneira. Eu mudei, muito. Nós mudamos. Não nos falávamos durante todos esses longos 3 anos. Apesar de ser uma pena saber que o tempo não anda para trás e compreender que eu jamais verei o seu olhar adolescente e sapeca, confesso não saber como conter a curiosidade pra saber em que - e em quem - esse olhar se transformou.
Reedição do texto "Recordar é viver" de 22 de janeiro de 2009.
Com as modificações que a ocasião exige.
Dedicado à caróu.
Pense o que você quiser. (Y)
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sexta-feira, outubro 22
A ferida está cicatrizada?
São bons os fluidos que circulam dentro de mim. São puros, raros e autênticos, todas as atitudes, gestos e pensamentos. É harmônico. Um paradoxo entre o sonoro e o silencioso, entre o grito e o sopro, entre a exclamação e a respiração.
Algo que li, tempos atrás, reflete como um espelho para os dias de hoje: Como algo que falamos no passado, tem sua conclusão no futuro?
Perguntas sempre rondam as nossas mentes. Quando as respondemos, mais perguntas aparecem. Esse é o grande mistério da vida. Saber de onde tantas questões se formam é o grande objetivo a ser buscado.
Vai dizer que você não sente uma pontada fria e fina lá dentro, lá no centro do coração, quando você escuta meu nome. Vai dizer que você não se pega pensando em mim quando está sozinha, deitada na cama, ou quando olha para aquele horizonte que um dia até confundido com outras coisas foi. Vai garantir que ainda não sonha, não lembra e não sente saudades do passado. Vai dizer? Vai garantir?
Eu digo, por você, eu garanto. A cada dia que passa, mais o paradoxo do cego e do cortante se atenua. Mais de futuro o passado transforma. Mais vejo que, apesar de dias, semanas, meses e anos, eu ainda sei pouco dessa fábrica de perguntas. A cada dia mais velho, mais perto da verdade eu fico e mais longe de ter uma idéia de qual resposta eu receberei tenho. A vida é assim. Cheia de realizações, mistérios, perguntas e deduções.
Cheia de paradoxos e cheia de pensamentos que, de certa forma, ainda me leva pro lugar de onde eu jamais deveria ter saído.
(20/01/2010)
Pense o que você quiser. (Y)
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sexta-feira, setembro 24
Fim, começo e recomeço.
Passo por uma fase de adaptação. Não consigo compreender o porquê das mudanças, mas creio que elas sejam mesmo necessárias. É chegada a hora de aprender a lidar com o novo, com o desconhecido, com tudo aquilo que antes era apenas imaginação e ilusão de uma mente fértil.
Segui ao pé da letra a expressão que eu mesmo disse tempos atrás. A de que "cada passo adiante que damos, deixamos coisas valiosas pelo caminho". Um mal impressindível para quem precisa se evoluir, se conhecer. O mal que faz constatar que a vida é um conjunto feito por vários ciclos, onde sempre há o início, o meio, o fim e o recomeço. Porquê é quando buscamos as respostas das perguntas antigas é que descobrimos mais enigmas para desvendar. Quando saciamos nossa sede do saber é quando a excitação de conhecer mais do desconhecido nos cerca. É quando a vingança pulsa forte, a satisfação grita e o futuro vira presente.
Hoje, pude presenciar o fim de mais um ciclo. Conquistei respostas que há muito desejei, responder à perguntas que nunca foram feitas até então e entender o porquê que "os fins sempre justificam os meios". Lamento os erros que cometi, mas não me arrependo deles. Fico feliz por ter feito sempre as coisas que eu achei que era correto, ao invés de agir única e exclusivamente como o meu coração e minha mente pensava.
É preciso prudencia pra ser louco. Não podemos agir insanamente. Porque tudo o que fazemos hoje, no recomeço, pode fazer toda a diferença e interferir no êxito. Entretanto, me conforta saber que enquanto a morte não chega, os ciclos vão se iniciar, desenrolar e se encerrar, trazendo sempre as respostas e os objetivos.
Posso dizer que, diante de um novo começo, pude perceber que cumpri com muitos objetivos que tracei. Alguns não como exatamente planejava, outros de forma melhor daquela que eu imaginei. Deixei de concluir muitas coisas, mas nada que me faça falta agora. Pois o que passou passou e que venham os novos desafios.
Pense o que você quiser. (Y)
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segunda-feira, agosto 23
Colcha de retalhos.
Peguei minhas coisas e joguei-as dentro da mochila suja. Queria ir embora, precisava ir embora. Não deveria, não gostaria e não agüentaria ficar para presenciar o fim de tudo. Da varanda, um alguém de olhos distantes e chorosos observava a triste cena. Lá se ia o barquinho de papel ao encontro do mar. Partindo solitário, em direção ao imenso mar de gente. Toda aquela nossa magia se acabou. A casa ficou pequena e apertada demais para nós dois. Talvez eu não quisesse ir, é verdade. Mas você é capaz de me esperar voltar? É capaz de cuidar de si mesma, enquanto eu encontro respostas? É capaz de compreender que eu parto pra ter certeza de que você é mesmo tudo aquilo que me faltava? Ouvi dizer, certa vez, que os dispostos se atraem, não os opostos.
Isso não é uma carta de amor, não é. São pensamentos soltos que vieram agora em minha cabeça, como um trovão corta o céu tempestuoso. Quero que tente entender o que nem eu entendo. Não sou um sujeito normal, você sabe muito bem. Faço as coisas que me vem em mente, digo-as sem o menor resguardo. Sempre fui assim. Posso não agüentar viver sem sua presença, sem seus carinhos, mas preciso de um tempo livre de suas maluquices, caretices.
Aonde quer que eu vá, saiba que estará sempre presa dentro de mim. Meus sonhos vão te buscar todas as noites, para caminharmos num jardim florido e perfumado. Levarei-te no olhar, para qualquer lugar, por todos os dias, até a minha volta.
Nessa viagem, aprenderei a dançar tango, limparei o metrô, andarei pela Bahia. Pretendo ficar rico, voltar e te levar pra outro lugar, além do sol, além do mar. Apesar de tudo, dentre todas as mulheres que tive você foi diferente, com você foi de primeira. Fiquei sem chão, sem ar, quando te vi pela primeira vez. Sabe muito bem disso. Se quiser saber pra onde eu vou, te digo: Olhe para o sol em um dia de céu azul. É pra lá que eu estou indo. Caso não tenha compreendido tudo o que eu quis demonstrar com esse bilhete, eu digo apenas:
Pense o que você quiser. (Y)
(05/02/2010)
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sexta-feira, agosto 13
Sarau para as paredes.
Sentindo a prosa poética, poesia genética e molecular, sinto-me possesso e possessivo de uma vida inteira. Vida esta, que me deixa sem chão, sem sono, sem ar, sem documento. O vento. Correntes invisíveis que me prendem no lugar de onde jamais deveria ter saído, mas que insistentemente penso em não mais ficar. Congelado como um refrigerante do bar ao lado do meu lar, de frente para a ponte, aonde, aonde mora a minha pequenina felicidade.
Pra que muita idade e experiencia? Se o que importa é a descencia, a docura, a loucura e a jornada. Caminhando em busca de uma aventura que não tem fim nem meio, só inicio e o receio, de cair no primeiro que surgir. Pense em um ato covarde. Fugir? Talvez seria a melhor opção. Mentir? Talvez seria só por precaução. Ou será de meu dever, dizer o que penso e o que faço, somente para manter minha reputação.
Convoco uma reunião. Preciso dizer para todos os que conheço, que sou parte de um infinito imenso universo, que me acolhe e me transcreve, em versos e estrofes, fatos e relatos, notas e tons de melancolia.
Amigos meus são as porcelanas, as estátuas e as paredes. É pra quem declamo agora toda minha loucura e insanidade. Prioridade para aqueles que estão sempre presentes, dia e noite, semana e mês, ano e década.
A cada "tic-tac" do relógio velho entre as porcelanas, estátuas e parecedes, meu coração faz um "tum-tum" misterioso e severo. Bate pequeno, aflito, afringido e ainda sim astuto. Persuaviso de uma forma irreversível, enganando até a mim mesmo, fraco demais para uma resistencia. Persiste, jovem rapaz, até encontrar sua paz, até encontrar seu amor, fugir da dor ou morrer na cruz, como o homem Jesus.
Jesus morreu pelos judeus, pelos ateus e pelos pecadores. Morreu por sua ingenuidade, por sua bondade. E se até ele ressussita, por que não posso deixar minha loucura elouquente e partir em busca de um novo infinito?
(19/10/2009)
Pense o que você quiser. (Y)
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sexta-feira, agosto 6
A Fênix.
A impaciência corroeu meu corpo lentamente, durante muito tempo, deixando-me fraco, indisposto e muito perto da morte. A situação era crítica ao ponto de eu já conseguir sentir um laço forte me puxando para o além, uma luz envolvendo a alma e me levando para outro patamar.
Estava nas cinzas, esfarelado e desfigurado. Deitei em meu leito, em meu ninho, e deixei-me consumir pela chama que é a morte.
Agora, meu corpo amanhece, meu sangue queima e eu respiro aliviado. Estou revigorado, cheio de idéias e de novos objetivos. Minha pele recuperou a cor e minhas costas e braços agora são capazes de suportar problemas tão pesados quanto os elefantes.
Não sou tão fraco assim como alguns pensam. É quando eu estou nas piores situações que uma força sobrenatural sai de mim, reerguendo-me e empurrando-me sempre à diante.
Hora de alçar vôo e ir ao encontro de mais uma jornada perigosa. Deseje-me boa sorte e...
(04/03/2010)
... Pense o que você quiser. (Y)
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quarta-feira, julho 28
Somente uma passagem.
"Serei o mais breve que puder, meu filho:
Toda essa paisagem linda que observa agora, estas crianças brincando e correndo, aquele casal sentado na grama, os idosos sentados no banco, tudo isso não passa de sua imaginação. O lugar em que você se encontra agora, na verdade, é de todo escuridão. Não existem as árvores ou mesmo grande lago. Aquela ponte de cristal, na verdade é de madeira negra e sombria.
Olhe para você! Pode estar se vendo vestido em uma manta toda branca, sua pele rosada, seu coração vibrando e o sangue ainda pulsando pelo seu corpo. Mas isso não é verdade. Estás deitado num leito, com pele pálida, corpo extremamente magro e frio, como uma múmia. Seus parentes choram em suas mãos de maneira deprimente. Até eu, meu filho, sinto remorso por todos aqueles que sempre te amaram e sempre vão te amar. Entretanto, todos entendem que a vida é algo demasiadamente simples e frágil, que já aceitaram sua partida.
Pois bem. Estás vendo toda essa paisagem de crianças, lago e árvores? Consegues ouvir esta música cativante? Segure minha mão e não tema, pois após aquela ponte de cristal, haverá uma paisagem idêntica aquela. Muitos de seus antepassados que já atravessaram aquela ponte, estão lá do outro lado para te receber. Confie em mim, pois tudo isso é somente uma passagem. Tua vida estás prestes a começar... "
Pense o que você quiser. (Y)
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quinta-feira, julho 15
Letters to God
Um mutirão de novas dúvidas, novas charadas, surge logo assim em que descobrimos as respostas das antigas. Perguntas que intrigam e que fazem repensar, por um momento, por cada decisão futura.
O futuro está em jogo, mas é o passado quem bate à porta nesse momento. E este, ora mostrando-se imponente e ora abatido com a ilusão de perda, quer entrar na porta trazendo esclarecimentos. Tenta convencer-me de que passado e futuro possam ser a mesma coisa.
Talvez se o mundo der mesmo voltas, o que é passado hoje pode tornar a ser presente no futuro. Contudo, eu prefiro pensar que o mundo é uma linha reta, uma estrada vertical, onde o que passou só retorna com lembranças boas ou ruins, pois por mais que nos deparamos com situações mais de uma vez em nossas vidas, elas jamais serão idênticas.
Eu tentei manter a cabeça limpa de pensamentos, pois em nossa mente, há uma porta onde todos conseguem entrar. O que me conforta é saber que a porta do meu coração está trancada por dentro e ele já está preenchido. Essa porta só se abre se a pessoa que lá dentro se encontra quiser sair.
E enquanto eu tento organizar a minha cabeça, a cabeceira cheias de papeis e cartas para a vida, eu me contento com a felicidade de saber que antes de novos enigmas surgirem pra mim, as respostas destes serão desvendadas.
(13/04/2010)
Pense o que você quiser. (Y)
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quarta-feira, junho 23
A estrela.
Tenho um carinho muito especial pelas estrelas. Meus olhos enchem d’água quando as observo desta maneira infinita, incontável, inimaginável. O céu limpo durante a noite é sinônimo ao meu sentimento multiplicado encima daqueles pontos brilhantes.
Lembro-me de um dia em que meu coração doía de solidão e angustia. Uma noite fria e tempestuosa. O sol, o grande astro de nosso céu, não raiou para afagar-me. Senti falta do seu calor, de seus majestosos raios e de sua luz reveladora. A lua, imperatriz da noite, envolveu-se nos cobertores das nuvens e repousou sem aconselhar-me. Logo ela, musa dos poetas, santa dos apaixonados, escondeu-se e deixou-me solitário. Parecia que não haveria uma brasa de alegria dentro de mim quando observei, ao horizonte, uma única e pequenina estrela. Confidenciei todos os meus temores, chorei e supliquei por dias melhores. Cochichei coisas que nenhum ser humano conseguiria ouvir a dez metros de distância, mas que ela que se encontra demasiadamente distante, escutaria como gritos. Quando fechei os olhos, sonhei com aquele ponto único no meio de uma imensidão negra. A luz no fim do túnel.
A estrela que marca o céu, marca a pele e o coração. A estrela que dita caminhos, orienta. Que perdoa e também pede perdão, por sumir de vista, por se esconder todas as vezes que o céu está limpo. Meus olhos enchem d’água quando as observo desta maneira infinita, incontável, inimaginável. Lacrimejam de alegria e de saudade, pois eu sei que ela está ali, em algum lugar. E que eu jamais voltarei a ver a mesma estrela novamente e ter certeza de que é ela. Exceto quando fecho os olhos e sonho com aquele ponto único no meio da imensidão negra.
Cada um tem sua estrela especial. Nunca a perca de vista. Mesmo que para isso, tenha que multiplicar sua visão milhares de milhões de vezes.
(07/03/2010)
Pense o que você quiser. (Y)
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Lugares inesquecíveis.
Divida a audição de um acorde grave e a visão de uma paisagem de areia de praia, oceano e fim de tarde ensolarado com alguém. Divida qualidades e defeitos. Divida sua vida, sua estrela preferida, sua comida preferida. Compartilhe a divisão de todas as coisas de pessoas que se encontram próximas a você. Divida o peso das responsabilidades. Divida um caderno de confissões, uma caneta colorida e um punhado de idéias. Divida o pensamento de que a vida é tão simples de se viver como caminhar sobre a areia da praia.
Agora pense. Pense nas coisas que podemos juntar e dividir com quem amamos. Pense em andar de mãos dadas, em jogar bola, brincar de pique, em gargalhar sem motivo, em ver os olhos brilhando, em subir uma cachoeira e se jogar da pedra mais alta que pudermos subir. Observar a natureza, sentir a natureza. Pense em como é bom acordar ás 4 da manhã e saber que pode ligar pra alguém, sem o menor constrangimento, somente pra dizer que está com saudades. Pense em que quando há distância ente dois seres apaixonados, esta é apenas um detalhe, pois existe uma linha invisível que une nossos corpos. Pense que a saudade nada mais é do que a vontade de ter novamente perto aquilo que se mais ama. E quando a saudade é recíproca, acaba sendo saborosa e nos trás mais felicidade.
Imagine, então, todos os pensamentos mútuos. Juntos e divididos em pró de um só objetivo. Imagine que o triunfo é saborear momentos ímpares e agradecer aos céus por cada dia que se passa, pois foram os melhores de nossas vidas.
Se houver nesse mundo alguém e algum lugar que lembre tudo isso que eu imaginei acima, diga-me, pois eu desejo muito ir para um lugar com todas essas coisas sublimes.
(24/02/2010)
Pense o que você quiser. (Y)
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