E aqui estou eu. Mãos vermelhas, pernas doloridas e mente vazia. Tentando encontrar uma forma de me expor e de esvaziar todo o meu recipiente interior. Tentando, inutilmente, encaixar as palavras, buscar ares novos, conclusões para minha vida indescritivelmente sensacionalista, como a de todo e qualquer poeta. Entretanto, estou sozinho. Meu esforço para chegar o mais depressa possível perto de qualquer utensilio que me ajudasse fez com que eu deixasse minha inspiração para trás. E ontem, vesti a calça após acordar, olhando para a parte de mim que deixei sob os lençóis, presa e adormecida.
Por mais que eu tente, por mais que eu busque, a inspiração é uma paixão platônica. Não se deixa tocar quando não pretende, não se mostra quando mais precisamos dela. Não nos permite que olhemos em seus olhos, buscando a verdade inflexível e singular. Uma serpente, que nos domina, nos envenena, fazendo de nós uma presa fácil. Um anjo, que nos trás brilho e conforto, quando assim pretende ser. E toda a pessoa que assina este documento, torna-se escravo desta maldição benéfica. Enxergar a si próprio, através de palavras, sempre que a inspiração chega para te auxiliar, pois já descobri que sozinho não consigo escrever, não sou capaz de me enxergar ou de me conhecer mais profundamente.
Sou precavido. Trouxe o meu Moleskine desta vez.
Pense o que você quiser. (Y)










