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quarta-feira, outubro 10

Liberdade domiciliar.



E a liberdade acaba por se tornar uma prisão, preenchendo todo o vazio do meu mundo de palavras, dúvidas e questionamentos. Fico aqui, mirando o portal daquele dito mundo que diz me acolher, como uma mãe toma sua cria pelos braços. As cores se perdem, os sons. De pé fico, aqui, esperando um motivo, uma necessidade, para que eu possa passar por esta porta invisível e conquistar todo este universo que fada uma liberdade, mas que, na verdade, me prende de maneira intransigente.
E quando o relógio gira, fazendo com que meu tenho se acabe e que me permita sair de minha prisão livre, eu olho para o portal e me pergunto se alguém vai entrar, mesmo assim. Não sei se alguém virá me buscar, me abraçar e dizer – com o silêncio da emoção – as coisas que necessito ouvir para o bem de meu ego. Certas vezes, admito, crio uma imagem do meu passado, materializando-se em fumaça sobre minha mente, em minha frente, repentinamente. São casos, ocasionais. Na verdade, o que passou pela minha história teve sua importância em seu tempo e serviu de aprendizado para o amadurecimento emocional. O que desejo, verdadeiramente, é uma figura ainda sem rosto, sem digitais. Desejo uma alma que só poderei ver quando a mesma aparecer. Ou então eu corro, pois meu tempo já se extinguiu.
Perambulo por entre os carros, dentro dos túneis da minha visão turva, esperando não ter pressa para chegar ao único lugar em que eu realmente me sinto livre. Minha prisão nada mais tem do que uma janela com grades, uma cortina vermelha e uma escrivaninha. Sobre a mesa, um caderno, um lápis, restos de cervejas e palitos de fósforos. Não há luz mais forte do que a da vela, não há cheiro além o do que o incenso emana. Não há vida em minha prisão. Contudo, impressionantemente, há liberdade. Pois, no fim, com um papel e caneta eu consigo fazer e dizer coisas que eu não conseguiria em minha liberdade no mundo, dito, libertino.  Desleixam-se de mim para aproveitar meus momentos livres dentro de minhas palavras, para que possam ver a produção de mais um milagre.
E assim vivo, nos avessos do mundo. Sempre esperando àquela que, um dia, chamarei de inspiração. Aguardando para lhe entregar todas as cartas que eu escrevo, cuja destinatária existe, mas ainda não tem nome e tampouco endereço.


Pense o que você quiser. (Y)

segunda-feira, setembro 10

Diferenças.

Talvez nós não sejamos tão diferentes assim, como outrora pensei.
E ela veio, doce e súbita, como uma abelha, dançando e se preparando para dar um beijo na flor e dela consumir todo o néctar. Talvez estes beijos sejam carregados, além da matéria prima do mel, de uma utopia delicada. Talvez seja própria utopia, de fato, que devesse se personificar e descrever o longo e duradouro trabalho de tudo o que vive. Quente como o sol, natureza. O que os rios de águas correntes refrescam e movem os moinhos, como palavras são sopradas pelo vento e, mais do que ouvidas – ou lidas – são sentidas na pele, fazendo os pelos da nuca se arrepiarem, como se arrepiariam se lábios a tocasse.
A subtração de dois corpos em um, de duas mentes em um ideal, quem sabe. Talvez não sejamos tão distintos assim. Agora acredito no que sei.
Uma fração. É o tempo em que a opinião se distorce, muda de lado, “vira a casaca”. O que na aurora eram duas peças distintas e distantes deste grande quebra-cabeças chamado “uni(co)verso”, já ao sol do meio-dia passam a se modelar e a perceber que há vários encaixes em cada uma das arestas de nossas personalidades e atitudes. Tendo, logo, algum ponto em comum, mesmo que seja um único, pequeno e pouco visível. Peças, em momentos, que se encaixam com uma invejável maestria.
Somos diferentes, sim, pois somos homem e mulher. Somos sonhos e virtudes divergentes. Somos pontos errantes. E o que eu achava que era a íntegra distorção dos fatos, passo a assimilar como “única divergência”, sem mais nem menos. Descobri – não só descobri como, também, pude ver – Que você viaja e eu também.
Você conhece novos lugares, respira novos ares. Pisa na terra árida, toma para si o mar, a cachoeira. Desbrava os asfaltos, as planícies, os planaltos. Sente sensações novas, vê o verde da grama, das florestas. Faz com que se incorporem os deuses antigos dentro de si. Usa a fita no braço e deixa as mexas de ondas de cabelos castanhos dançarem com o vento, assim como a abelha dança, em seu ritual de carinho e destino. Dias e noites. Crepúsculos e alvoradas. Céu turquesa – com algodão branco­ – ou marinho, salpicado de pequenos e infinitos pontos brancos, formando desenhos no céu.
E eu te digo. Também sou assim, apesar de não aparentar. Também visito mares e terras distantes. Também sou capaz de sentir o cheiro do mar, da natureza. Fecho os olhos e sinto o mesmo vento que você, mesmo que não no mesmo lugar. Sento na pedra e assisto ao pôr-do-sol, transformando o céu em um fenômeno ímpar. Também sei fazer sorrisos virarem aventuras inigualáveis. Mesmo que, em meus olhos “racionais”, o que vejo acabam por ser tinta de caneta, papel, luz acesa, cortinas fechadas e plantas sobre uma escrivaninha de vidro. Tudo esperando a hora de repousar e fazer com que eu descanse.
Olho para o meu mundo e vejo palavras, em preto e branco. Você olha para o seu e vê ações, em todas as cores que o mundo pode fazê-la enxergar. Talvez não sejamos tão diferentes. Talvez sejamos lados opostos de um mesmo significado, sendo o meu abstrato e o seu concreto. Sendo tudo real. E, quando vejo que minha vida não passa da ânsia de ser uma cópia do seu espírito, percebo que já sou uma pequena parte dele. Zombas de mim e diz que o viver é passageiro e que a vida não foi feita para outra finalidade que não seja ser vivida e aproveitada ininterruptamente, de todos os lados e formas. Não, repito, não somos tão diferentes assim. Somos o casal, uma moeda.
Como sabemos, toda moeda tem duas faces. Nestas, as faces são a “eu” e a “você”.


Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, junho 28

Perder e ganhar.


E chega uma hora em que nós temos que perder.
É comum de todo o ser humano não querer deixar de ter. Eu tenho, tinha a sensação do mundo inteiro em minhas mãos, o controle de tudo. Corpo, pensamentos, alma, sentimentos, prazer, desejo. Uma única noite em claro para descobrir que não há mais como destrinchar e distinguir o que é o que. Acaba por ser tudo batido no liquidificador e por se tornar uma única coisa. Algo pequeno, simples. Coisa esta que pode ser escrita, usando apenas quatro letras.
E no tabuleiro montado na cama, sob cobertores, a movimentação de peças outrora infalível, hoje não combina com o jogo. A adversária joga melhor, começa a desvendar as falhas em minha estratégia e perceber que há chances de vencer. Eu, inutilmente, paro, resisto, digo para esperarmos mais. Em vão. Chega uma hora em que nós temos que perder.
E este dia chegou. Não fora a primeira vez, tampouco será a última. Tabus e invencibilidades são impostos para serem dobrados. No meio deste gozo de vida intenso e vazio, acabei por me redescobrir. Há muito eu não perco, pois há muito não sabia o que era me entregar. Há muito não conseguia fechar os olhos, ser abraçado e simplesmente esquecer de que o sol vai nascer no céu e, quando isso acontecer, tudo voltará ao normal. Há muito não conseguia fechar a cara, mas admitir que, mais do que perdido, estou rendido.
O vazio maior é a sensação de que não joguei um bom jogo. No fundo, eu sei que desempenhei o meu papel e simplesmente perdi, como muito acontece com os verdadeiros e maiores campeões. O morador do quarto ao lado sempre me disse que “o melhor nem sempre é aquele que vence.” Um alento, conforto, talvez. Sensações diferentes têm tomado o meu corpo. Talvez tenha sido a hora, somente para não continuar soberbo e cheio de si. Continuar não sendo o que vejo nesse meu espelho de fundo branco e tinta preta. Estreito os meus olhos diante do caminho estreito por igual, para me adequar à realidade.
Não é novidade para ninguém que o meu maior prazer é vencer. Mas quer saber? Hoje eu não me importei. Tenho uma mão cheia de desculpas, de respostar e de justificativas. Não preciso usá-las. O melhor, realmente, nem sempre vence. Competir, praticar, já é um privilégio singular e raro. Perder ou ganhar, por hora, acaba por ser uma analogia pequena ao suco batido no liquidificador, contendo corpos, pensamentos, almas, sentimento, prazeres e desejos. Tudo no plural, porção para duas pessoas. No cardápio, na tela de um telefone celular, uma única palavra, denominando o sabor. Quatro letras.
Amor.


Pense o que você quiser. (Y)

domingo, maio 6

O melhor até amanhã.

A inspiração é uma criança travessa. Pequena o suficiente para se esconder entre os neurônios e demasiadamente grande para sua existência ser contestada. O ser humano é pequeno – mesmo os grandes – para compreender que uma partícula pode tornar-se um infinito universo de estrelas, planetas e desconhecido. O baú do conhecimento sempre terá mais um fundo falso escondido, mais uma aresta a se explorar. E se há limites para centenas de coisas, a dúvida é o que sempre nos impulsiona. “E se...?” é o que se perguntam os filósofos, matemáticos ou qualquer ser humano, grande ou pequeno, velho ou novo, que busca refutações. Homens estes, como eu, que não passam de corpo e massa cefálica, insignificantes, envoltos em brilhantismos e em descobertas intimamente denominadas como improváveis. Eu contesto.
Contesto por ser leigo, ser cego e ignorante. Contesto por saber que há limite em meu campo de visão, nos termos que domino na escrita, no que posso fazer de melhor hoje. Pois ontem me afugentei ao conhecimento, deixando de perceber que o termo “possibilidades” pode ser no singular, mesmo escrito em plural. Não há limites em ter limites e esta acaba sendo a nossa maior restrição. Delimitados a olhar, tocar, cheirar, degustar e ouvir, esquecendo-se de que o maior impedimento é não saber que regras foram feitas para ser quebradas ou, simplesmente, ignoradas. E eu contesto.
Contesto por ter dentro de mim uma imaginação infantil, pura e travessa. Contesto por saber que minha limitação está em repetir termos e palavras, frases de efeito, por não ser mais bem instruído. Contudo, a subjetividade dos textos nos leva a perceber que não há limites e que nossa massa cefálica, pequena como um átomo, pode se transformar em um infinito universo de idéias, perguntas, teses e réplicas duvidosas. Não sabemos o que cada inspiração esconde em cada cabeça de cada ser humano, homem ou mulher, barroco ou contemporâneo, de corset ou geek. O que é pertinente frisar, nutrindo esta grande teia de informações e necessidade do saber, é o fato da raça humana conhecer seus limites e alcançá-los, ultrapassá-los e, enfim, conhecer o infinito: Um novo limite mais adiante, melhor protegido e com uma tênue sensação de que o simples e o complexo são uma só coisa.
E são.
São palavras, feitas de pequenas letras e grandes significados. Amantes que se descobrem em uma alcova de metonímias, ironias e antíteses. É o campo do infinito em sua melhor vista, aveludando o toque em suas rosas palavras, exalando o cheio da acepção presente e futura, provando do néctar desta pequena viagem e ouvindo o vento dizer palavras novas, aumentando a limitação para que possamos, outra vez e mais uma, alcançar e superar restrições. Descobrindo, então, o óbvio: Minha imaginação limita-se em ver, sentir e imaginar.



Pense o que você quiser. (Y)

sábado, março 24

Reflexos e reflexões II

Cheguei longe. Fui até onde muitas pessoas duvidavam que eu pudesse chegar. Estiquei o braço e consegui pegar com mãos mais firmes. Foquei os olhos e enxerguei além. Fim da linha. Última parada até a próxima grande aventura. A bagagem abarrotada de lembranças do passado e a mente carregada de pensamentos e sentimentos. Confesso que ficou pesado pôr nas costas tantos fardos.  Assumo que não consegui sustentar essa quantidade enorme de passado. Fraquejei.
Voltei.
Não aguentava mais esperar o trem que me levava para frente e retornei. Peguei o sentido oposto, mais uma vez, contrariando a todas as minhas formas lógicas de pensar. Retornei, pois senti saudades e, acima de tudo, porque eu não sei mais quem eu sou. Sinto-me como um vaso de cerâmica. Rústico, duro. Quebradiço e vazio. Fui deixando tanto de mim pelo caminho, para tantas pessoas, que hoje eu nem sei mais onde eu deixei o que. Não há como mais me resgatar, mas mesmo assim retornei. E quando vi meu reflexo naquele espelho redondo, na parede oposta ao armário branco que compõe o quarto onde há uma janela com vista para o infinito, percebi que não era mais eu que estava ali a me observar. Sou um ser desfigurado, incompleto, pequeno, medíocre e frágil. Sou o reflexo da derrota, da incapacidade.
Tudo porque descobri que não é tão fácil viver como se parece.
No último reflexo que vi diante daquele espelho, a pessoa cuja imagem era refletida detinha uma força e auto-estima incomum. Alguém que não acreditava que pudesse existir o impossível. Entretanto, bastou sair daquela casa verde e descer a rua, virar a esquina e pegar o primeiro trem que surgisse na estação para perceber que as coisas mudam sempre e nada que possa acontecer vai alterar o que é para ser. “Se eu olhar pra trás agora, não verei mais nada”. E essa recusa, esse medo, tornava aquela imagem antiga viril e indestrutível. Um passo a frente faz com que sejam descobertos mundos novos e completamente diferentes. Contudo, como alguém que aprendeu que o impossível ainda estava por vir e que tudo o que outrora era improvável, sempre fora, na verdade, fácil em demasia?
Como há muito não fazia, eu chorei.
Sozinho, sentado dentro da cabine, olhando para o horizonte de nuvens e um sol envergonhado. Neste dia nem o céu chorou comigo. Neste dia a solidão fora a minha única companhia, meu simples e pequeno alento. E no caminho de volta pra casa, antes mesmo de não me enxergar mais, eu já sentia que tinha me perdido de vez. Não encontrei mais ninguém que deixei partes de mim. Todos se foram. Não tinha mesmo nada atrás de mim.
Quando subi o morro, morto de vontade de me reencontrar, percebi que minha casa já não era mais verde, era amarela. Que minha casa já não era mais minha, era de alguém.
Um alguém que eu olho a imagem refletida no espelho e não reconheço.



Pense o que você quiser. (Y)

segunda-feira, fevereiro 6

Perto e longe.

Dizem que era pra eu estar aqui ainda, parando, parado, esperando, esperando e esperando. Aguardando a resposta que não vem, o abraço que não foi dado, a carta de amor não entregue, o soldado voltar para levar seu cão para casa. Sinceramente, realmente, originalmente, não sei por que eu ainda insisto nessa vaga esperança de te ver saindo por aquele portão, sorrindo e me chamando para andar do seu lado como outrora fizemos. Compartilhar daquelas mesmas, velhas e incansáveis, veredas ímpares de um par de corpos que juntos tornam-se denominador comum. Contudo, não estou aqui. Não era pra estar, contudo estou. Contudo, não estou.
Pode-se dizer que meu corpo está aqui, de pé, de olhos abertos, olhando ansioso e aflito para enxergar aquilo que mais se deseja ver. Entretanto a alma encontra-se longe, distante, onde os olhos não podem alcançar. Simples e complexo. Fato consumado, consumido e assumido. O relógio marca uma hora a mais que o sol forte que faz escorrer suor e molhar a malha estampada com uma grande gota. Lágrima. Não estou aqui ainda pra chorar, pois o corpo não chora. O choro, quando vem, vem da alma e esta está distante, longe, onde os olhos não podem enxergar, ouvidos não podem escutar, mãos não podem tatear.
Foi-se. Desapareceu e evaporou. Voou, voou e voou. Pra onde será que foi essa alma minha, cansada de ser corpo e de esperar o corpo que não sai de dentro daquele labirinto. Achei que eu era Teseu, não Ariadne. Achei que o minotauro estava dentro de meus medos, envolto às minhas sombras, não que fossem as sombras do passado a me assombrar. Mil anos em uma tarde, com flores nas mãos e espinhos no peito, de tanto esperar, espetando profundo. Bate o coração, coçam as mãos, formigam os pés. Eu não consigo ver, pois não estou lá, apesar de ainda estar.
Os olhos cansados serram-se em sincronia com o crepúsculo. O corpo ainda resiste firme, imóvel. Torcendo para que o primeiro movimento possa ser o de pôr um pé na frente do outro e correr para o seu encaixe.  Correr, correr, correr e, antes de abraçar, largar flores pelo chão, dores pelo passado e temores pelo caminho. Percorrido, comprido, largo. Cumprido, cumprimentado, completado o trajeto. Seria se a porta se abrisse e depois o portão e depois ainda o baú de segredo de sentimento daquela que me completa. E mesmo esta lacuna preenchida não me satisfaz e mesmo esse cálice não me embriaga. Estou farto de esperar e saber que esperar não pode ser mais do que ficar em pé, olhando, torcendo para que aconteça algo que não acontecerá.
É a alma que move o corpo. São os sentimentos que nos levam a fazer todos nossos atos. Minha alma se deu ao trabalho de deixar meu corpo criando raízes em frente aquela esperança quase morta de poder ver um rosto, mesmo que se surgisse outro no lugar deste que era pra se ver. Paciência, logo. Para quem esperou, esperou e esperou tanto tempo, under the moon by midnight, talvez eu possa ter uma vaga esperança de ter uma vaga dentro daquele lar, um dia qualquer. Espero até o almoço do dia seguinte? Farei isso. Estou esperando, contudo não estou. Estou longe, em outro lugar. De qualquer forma esperando para voltar para meu corpo, para receber minha alma de braços abertos e, juntos, poder gritar, bater, tocar campainha, insistir, insistir e insistir.
Insistir no amor.


Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, janeiro 20

Amor e nada mais.

Talvez pudesse mesmo deixar para dizer e escrever amanhã tudo aquilo que me aconteceu hoje. O amanhã é o oposto do oposto, a face da face. A essência e o saber. Ontem não me foi dado de bom grado fardo este que desempenho hoje, o de descobrir que o amanhã não poderia ser diferente do que pudera ser no amanhã de ontem. Se ontem o amor fora mesmo aquela dádiva divina, o amanhã servirá somente para que me faça provar do novo, de novo, deste tempero fabuloso e, ao mesmo tempo, veneno mortal.
Hoje não sinto mais o cheiro dos cabelos que ontem senti. Da mesma forma em que não escrevo as mesmas cartas, ouço as mesmas músicas. O amanhã virá e mudará meu caminho. Fará com que eu retorne para o mesmo caminho que viajei ontem e antes do antes do ontem, quando o amanhã, que hoje é o hoje, era apenas algo que julgava jamais acontecer: Ter eu um coração partido, remendado e remendado como novo, de novo.
Será que amar é ter a mesma graça do outrora? Ser soneto, ser sinfonia?
Perceber que o todo é um quebra-cabeça de tão grande complexidade é o mesmo que perceber que os olhos mudam com os olhares, que as bocas mudam a fala com expressões. Que inodoros e insípidos serão se, como água, estes sentimentos também forem incolores. Amante de cores que sou, deixei de lado essa grande discussão e voltei a dizer que a minha Azul existe para confortar meu coração e meu nariz de palhaço. Existe em cada momento em que o hoje me faz lembrar a felicidade do ontem, que me faz lembrar a felicidade de que era pensar no amanhã. Este, ainda desconhecido para mim, passa a ser somente mais uma silueta estranha nas entranhas das minhas próprias páginas e histórias, onde o dito amanhã que nunca morre se extinguirá, deixando para que os olhos duros e cheios de tanto vazio permitam-se avistar o que e o qual grandioso era o seu dia anterior, do crepúsculo à alvorada.
Àquela, não esta que vaga pelos bares e sambas da vida, mas àquela que um dia pude dizer tudo o que eu direi amanhã para outra aquela que, no presente momento será ”esta”, eu deixo as cartas do ontem que eu voltarei a ler amanhã e guardar. Amor, hoje, pra mim, deixou de ser amor para se tornar verdade. Deixou de ser sonho e passou a ser realidade. Não é mais infinito - tão pouco infinito do infinito - porque por tanto tempo durou, pois passou a ser um mínimo de tempo mágico.
Enfim o amor que, no fim das contas, passa ser o que nunca foi. Amor que não é amar. Amor que não é amor. Amor que não é nada.
A não ser que seja amor.



Pense o que você quiser. (Y)

segunda-feira, janeiro 9

Al dente.

Passara o tempo e o que vi foi como um piscar. A luz apagou, mas trouxe-lhe velas. Ascenderam na madrugada fria, salvando meus olhos cansados de leitura e afazeres. Por esse tempo que passara, aprender fora melhor do que ensinar, ler fora melhor do que escrever e ouvir fora melhor do que falar. Ouvira sinos e sinais. Ouvira choro de morte e de vida. Choro, morte e vida. Morte e vida, pois ao dar a luz foi-se para o céu. Deu a própria vida ao filho, sua reencarnação.
Lindos olhos seus. Não passa de ficção, de páginas presas à capa. Diagramado, impresso, sem imagens. Somente letras e um punhado grande de imaginação. Panela cheia d'água, escorredor pronto. Óleo para não grudar a comida já grudenta, feita por um cosinheiro errante. Ajudaria ainda a plasticidade dos pratos e da colher de pau que mexe. Um passo após o outro, como sugere o livro. Dê receitas.
Diante de um compasso raso, verso mudo, canção tola e insolente, vejo meu molho borbulhar e ferver enquanto vejo letras e linhas. Vejo a bela criança se formando, órfã, mas viva e mais corajosa. Ensinara a vencer, assim como fora ensinada em seu primeiro suspiro. Assim como suspeitei. Assim como suspeitava quando ainda não tinha lido esta cena, este capítulo. Esperar o macarrão cozinhar até ficar Al dente...
Quem suspira, agora sou eu. Alívio. A donzela escapou com vida. Meu macarrão está pronto. Gozo do prazer de virar as páginas, de mastigar quantas vezes for necessário para que se torne massa o que era alimento. Para que se torne alimento o que é papel. Alimento para a alma, para a mente. Alimentar aquilo que existe somente para mim mesmo, com refeições que são feitas de paradoxos. Não se pode tocar. Entretanto, nutre-se esta massa. Carboidratos mentais, salgados, saborosos. Ao molho vermelho de sangue de morte e de vida. Sangue de ressurreição. Sangue de reencarnalção.
Sangue de molho de tomate. Macarrão.
Apague as velas. Boa noite.



Pense o que você quiser. (Y)

segunda-feira, dezembro 5

Simples detalhes.

Tantas e tantas foram as frases batidas, passadas e amareladas pelo tempo. Todas sempre dispostas nos mesmos lugares, palavras atrás de palavras, soltas e presas sobre uma folha de papel qualquer, amarrada por um ponto continuativo e um parágrafo. Reticências. A cada fim de história, de capítulo, de passagem, o pensamento no que quiser pensar fica e finda idéia de prosperidade. Há tantos clichês que já não sou todos que servem. Contudo, lembro-me muito bem de todos eles. Todos criados como um filho ou adotados como um abandonado, órfãos de seus poetas mortos, sendo assassinados ou de próprios suicídios cometidos.
Repito e repito todos, vez à vez. São estes pequenos detalhes que somente olhos como os meus podem perceber. Olhos que nunca vi, que nunca encontrei. Até então.
O tempo pode esperar, mas o relógio gira seus ponteiros mesmo assim. Parece tanto que foi em outra vida, em outra encarnação e um furo no espaço e tempo aconteceu, mas minha memória foi mantida intacta. Cada detalhe, cada gesto, cada sorriso ou lágrima. Cada cura, cada perdão, cada peça, cada chave. Cada palavra, posta uma atrás da outra como sempre pus. Como é para ser, sempre. Como era pra ter sido. Reticências. Como um filme passando rapidamente dentro da mente, em sentido inverso, vejo cada copo quebrado voltar para a mão, cada história contada voltar para a boca. Vejo o peito se preenchendo, vivendo, nascendo após dar a luz a algo tão belo! Somente até olhar mais profundamente a imensidão do mar dos olhos.
É reparar sentimentos sublimes após fitar fixamente aqueles olhos imensamente azuis, tanto em borda quanto em íris, por mais que os azuis do centro sejam só o reflexo da água do mar. É querer tanto e tanto, mais e mais, dizer essas e aquelas palavras ditas e escritas, reescritas e editadas, reeditadas e revividas, por poetas mortos e vivos. Por mim, poeta, claramente apaixonado por cada frase, cada palavra, cada letra. Apaixonado na outra vida e nessa, dia e noite, sempre e sempre, incansável e até alucinante, às vezes. Tão clichê quanto aquela mesma música, como naquela mesma posição na cadeira, como aquelas mesmas mãos postas sobre a mesma cabeça, como aquelas batidas ritmadas e aceleradas do coração. Como sempre fui, na outra vida, em outro momento. Reticências. Deixei pra lá os detalhes quando encarei seus olhos meus.
Feito de pedra bruta e mato alto, floresta intocada pelo homem, fundo do mar. Primitivo ideológico que se chama dádiva, que se chama amor. Algo que não existe, como diz palavras e textos repetitivos, como disse inúmeras vezes em minhas entrelinhas. Existe sim, eu, personificado, pedinte, querendo, nada mais nada menos do que a outra metade. Onde estará? Onde uma jangada pode navegar por esse azul, com uma vara de pesca, imaginando que nessa imensidão de olhar, eu possa fisgar o peixe da sorte, usando como isca o meu próprio coração.
Ponto final, ou continuativo, não sei dizer. Se uma pessoa é mesmo feita de detalhes, vamos ver se quem muito tem pequenas peças, se consegue perceber a importância de cada palavra e cada gesto, cada frase, dita aqui e agora. Dita há tantos tempos atrás, em outra vida, outra encarnação. Dita e escondida para ser descoberta.



Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, novembro 18

Certa incerteza.

Jazem, aqui, incontáveis garrafas vazias de vinho, cálices sujos e não retomados à boca após vazios. Livros abertos, lidos pela metade, formando, assim uma inteira opinião. Deitado no leito, descansa o corpo febril e emagrecido pela doença incisiva do saber. O tempo é o infinito, igualmente como a partida do jogo que se admira. Pratos sujos de uma mesma refeição, dia após dia, sem saber que somente saciando as necessidades chegamos em algum lugar. Espero que este seja belo como os sonhos e as visões à beira do abismo. Pois há quem diga que este mesmo corpo é mais do que um simples objeto do fruto sagrado. Há quem diga que este, mesmo adormecido e prestes à sabe-se lá o que, nasceu para ser vencedor. Nascido para ser jogador, não peça.
Nunca deixou de acreditar. Em nenhum instante que fosse, este, ainda, pudesse compreender que verdade não há além daqueles lençóis encharcados de suor. Porque será que a vitória não saiu de dentro daquela mente, mesmo com o universo - e, junto, o universo de seu corpo - desmoronando e definhando diante de seus olhos, fechados, como a porta que trancou e não soube onde pôs a chave, não sei. Não ousaria sussurrar naquele universo, tendo como partido poder gritar para todos os seus habitantes.
O toque Sagrado que por vezes tentou levar este corpo para junto de sí, para os confins da Terra, também toca imaculadamente a mente pensante e implora para que fique mais uns tempos. Para que acorde, levante e vença, como sempre acreditou que seria. Como se nunca houvesse enfermidades, devaneios e loucuras. Como se não houvesse consequências para os terríveis e temíveis atos. Pois o corpo viril que levanta, marcha e suporta, tem a mente sábia, astuta e audaciosa.
E eu, hoje, sou somente espírito. Atravesso a porta trancada como se não a existisse e olho a minha imagem. O retrato de mim mesmo preso entre lençóis, vinhos, refeições baratas e cálices. Embriagou-me, como diz marcado em meu próprio braço. Calix meus inebrians. Tão grande foi a determinação no saber que, finalmente soube, entretanto, que de nada valem as teorias sem experiências práticas. Finalmente estou de volta para amparar neste leito meu próprio eu perdido em meio de amores, em meio de solidão.
Como senti minha própria falta e como ansiei por me encontrar novamente. O mais estranho é me encontrar justamente quando estou perdido, prestes a me entregar à eternidade.
Mas e a vitória há tanto requerida? Entregar-se é mesmo a solução? Digo a mim mesmo, por telepatia, que não. Uma mente que formou uma opinião após deixar várias opiniões por formar não pode desistir justo agora, que um aliado - o mais importante - está de volta para proteger o seu flanco. Como partes de um inteiro.
E mesmo que ainda não nos fundimos novamente, minha jornada agora é outra. Simplesmente caminhar lado a lado do meu corpo e levá-lo de volta ao esplendor dos campos e dos prédios altos da cidade.

Para levantar, caminhar e vencer.




Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, novembro 10

Jogo da vida.

Cabeça baixa, olhos atentos às cartas na mão. Não há nenhuma idéia mirabolante desta vez. O cigarro preso à boca queima sem um trago sequer. A garrava do wisky de vinte e tantos anos está seca. É preciso que esta mão seja ganha, pois a última e a penúltima foram perdidas. Com a derrota, perdeu-se um pouco das suas atividades diárias. Agora está tempocioso, contudo, com mais tempo em pensar no seu próximo movimento. Os adversarios são implacáveis. O Destino é um blefador nato e o futuro é imprevisível, fazendo jogadas surpreendentes quando se menos espera. Tenho como parceiro, entretanto, a doce e experiente Esperança, que já me ajudou a virar este jogo quando eu estava passando por maus bocados. É o jogo da vida e a minha vida está em jogo.
O chapéu de bohemio cobre a cabeça pensante, que pensa, pensa e raciocina. Não se deve olhar nos olhos do Futuro e tão pouco acreditar no olhar do destino. Compra-se uma carta da pilha e de lá sai um belo e maravilhoso coringa. Uma idéia nova surge à mente. Uma capacidade de mudança, de aprendizado e de fortuna. De tantos e tantos jogos que aposto, este não é o meu predileto, mas o mais importante. Lembro-me dos tempos em que o Fururo me parecia previsível e o Destino insignificante. Até a Esperança rendia-se às minhas mãos e admitia que não era ela a pegar sempre o último morto. Canastras e mais canastras na mesa, pilhas de fichas junto à mim.
Entretanto, como todo jogo, há dias em que a sorte não está do nosso lado e que os adversários levam vantagem. Logo, é preciso pensar com essa pensante cabeça escondida no chapéu. Deixar que queime a chama do cigarro da Esperança, que beba do copo da Sabedoria, parceira de tantas e tantas partidas. Pois tenho em mim todas as coisas boas do mundo. Tenho em mim um pouco do melhor de cada jogador. A astúcia, inteligencia, imaginação, força. Ainda estou vivo, correto? O jogo ainda não acabou para mim.
O coringa, num gesto de loucura, descartei para o adversário. Minha mão é melhor. Confio no que eu consegui reunir durante todos estes anos. Na vida temos que abrir mão de uma peça individual às vezes. Perder também faz parte deste jogo. O mais importante é sempre saber quando se está perdendo e onde, em que momento, você deixou os adversários virarem o jogo. Não há estratégia melhor do que se conhecer bem, pois no jogo da vida você é sempre seu pior inimigo. Consequências de adversidades partem sempre de nossos próprios atos.
Minha mão está fraca, perante a dos outros jogadores. Estou nesse buraco que agora que parece não ter fim, tendo que dar o que eu tenho de melhor para os outros sem receber nada em troca. É ingrato, ás vezes, este jogo. Mas tenho que jogar, preciso jogar. Preciso viver. Levantar da mesa agora é o mesmo que apunhalar meu próprio peito e adormecer eternamente. MInha parceira Esperança pode ter uma boa jogada à qualquer momento. Eu sei o que estava errado, agora vejo. Vejo que os erros que nós cometemos causam vergonha e o orgulho faz com que nos sintamos derrotados. Esta partida está acabando, não se pode fraquejar. Escondo meus olhos marejados e olho fixamente para minhas duas únicas cartas na mão. Falta somente um encaixe para tudo dar certo e eu limpar a minha barra, a minha canastra.
Das cinzas, surge a Ave Sagrada. Da escuridão, surge o sol radiante.
Do fracasso, surgirá um vencedor.




Pense o que você quiser. (Y)

quarta-feira, setembro 21

Escolhas e escolhas.

Já não importam os caminhos que escolhemos, quais estradas procuramos seguir e quais obstáculos queremos ultrapassar. O carro que leva mais do que simples histórias, leva para longe um sentimento e um coração que cisma em não querer parar de bater. Vejo quem me ensinou a enxergar a paz em uma canção, em um beijo no sapo mágico, explodindo a própria cabeça com uma arma cujo calibre é a embriaguez. Os quinze minutos de fama viram quinze dias de feridas e quinze anos de ausência. Dia após dia, a dor diminui e a saudade aumenta como a gasolina, a quilometragem.
Sigo no volante, sem controle. Cem quilômetros por hora, sentindo o vento balançar meus cabelos. Apenas olhando para o sol, rubro e soberano no horizonte. Outro dia nasce e eu sigo vazio, com o tanque cheio. Sigo cheio, farto de tanta sobra que há dentro da oficina do Diabo. Preso neste inferno que se chama passado. Em marcha ré, na contra mão. Queimando pneu no barro, no asfalto, na subida e na ladeira.
Um oásis. Refresco a alma em um banho milagroso nas águas da oportunidade. Procuro meu foco em tons de azul. Cristalino, turquesa, opala. É preciso voltar para a estrada, sabendo para onde quer chegar. Escolhendo a estrada em que haverá um alguém de malas prontas e esperando para estender o dedo e pedir para que a leve para qualquer lugar que eu deseje ir. Aventurando-se ao sair de casa e parar na beira na estrada, esperando bater no meu peito e fazer, por ela, meu coração parar.
Hora de partir. O banho nessas águas me fez piscar. E fechando e abrindo meus olhos tristes e cansados percebo que mesmo sendo por uma fração de segundo, muita coisa deixei naquele oásis. Perdi a chave do carro, a chave da porta. Deixei de sentir um pouco mais de brisa, deixei de ver o último raio de sol no céu. Vejo a estrada obscurecida pelos meus receios, assombrada pelos meus fantasmas.
Não vejo mais aquela mão estendida, as malas prontas. Talvez tenha entrado em outro carro, mais novo, mais bonito e mais potente. Talvez eu tenha passado em alta velocidade e não tenha a percebido. Talvez eu tenha piscado justamente na hora em que ela se foi. Ela não está mais lá. Agora, à noite, não tenho farol, não tenho mapa e não tenho bússola. Só sei ir adiante porque é pra onde a minha estrada leva. Rezando e esperando mais um dia nascer, mais a estrada se iluminar, mais uma mão estendida na beira da estrada eu encontrar.

Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, junho 24

Narcótico esferográfico.

Sentado. Olhando. Sozinho. Vazio.
Palavras que não se encaixam em uma frase com conjunto harmônico. Não são notas musicais, tão pouco formam uma sequência simétrica. Vejo, hoje, subitamente, após tantos e tandos dias sentado olhando o vazinho sozinho, o quanto a vida pode nos reciclar e o quanto eu posso estar errado sendo tão inflexível. Todos os dias, naquele banco de praça, vendo o saxofonista de cobre. Vendo gente e gente me vendo. Vendo todos os tipos de vícios. Vendo brejas e vendo fumaça. Vendo fumaça fria, dançando com pássaros e com a nossa atmosfera.
Ontem eu fracassei. Olhei minha mãe fumando aquele seu cigarrinho de após o almoço e esbravejei. Minha namorada também já foi vítima dos meus ataques de fúria, após vê-la com o mesmo cigarrinho em mãos, escondida de mim. O que nunca percebi, foi o quanto pode ser difícil largar os vícios. Quantos amigos não conseguem largar a garrafa de vodka das mãos. E quanto eu já tentei tirar todos de suas perdições, achando que sempre fui livre de todo e qualquer tipo de mal.
Jamais notei que quando fico dois dias sem pegar no caderno e escrever uma frase boa sequer, meus olhos desanimam e minha mente pesa. Simplesmente necessito, mais e mais, em ver meu caderno preenchido com todas essas bobagens que me fazem respirar e me sentir vivo. Se saio sem minha mochila nas costas, parece que o mundo fica mais pesado e meu corpo sente a ausência de um braço. Logo eu, achando que é fácil abandonar tudo aquilo que faz mal e que o mal é apenas o que a sociedade impõe.
Hoje eu percebo. Escrever é meu vício e me aventurar pelas ruas sinuosas e obscuras do centro e dos ônibus são minhas necessidades. Quando me sinto preso me sinto mal e me sinto como se fosse inútil. Todos precisam de seus momentos de total relaxamento. Agora eu entendo. Faço mal a mim mesmo em toda essa loucura de escrever textos extremamente românticos.
Pois o amor é ruim.
Ainda não aprovo todas as coisas. Minha mente impenetrável ainda não conseguem aceitar certas idéias. Contudo, agora eu vejo o quanto é horrivel viver sob pressão. Sem fazer o que se quer, quando se quer, quando se pode. Quando não se deve, inclusive.
Sentado, olhando a fumaça subindo e dançando, eu percebi que me sinto vazio sem minha caneta, sem meu papel. Que não consigo ser eu mesmo quando não escrevo, quando não penso, quando não imagino. Não quero largar, não quero deixar de usar essa droga tão boa e que me acalma, me acolhe.
Agora eu entendo. Não perfeitamente, mas entendo. Precisamos de uma fuga. Precisamos de um pouco de paz, fazendo qualquer coisa que se quiser. Como pensar.

"Nota: Este texto faz, hoje, um ano de existência. Por ironia do destino, encontrei-o em meus arquivos num momento em que realmente lhe caiu bem. Quando escrevi o original (este eu mudei um pouco o primeiro parágrafo), pensei em publicá-lo somente quando estivesse completamente convencido de que meu vício realmente era a escrita. Não estou fazendo apologia a nada. Quero somente que as pessoas façam de suas vidas o que acharem melhor. Eu melhorei. Agora eu aprendi a aceitar melhor as coisas. Espero. Obrigado, mais uma vez, a todos os leitores do imaginadongo."


Pense o que você quiser. (Y)

domingo, junho 19

Sem horas e sem dores.

Por Wall Oliver
Se sorri, foi porque chorava. Se chorei, foi porque estava sorrindo. Não sei o que houve, não houve nada, pra falar a verdade. Só sei que, em mim, estava tudo aquilo que me cabe. Coube, em mim, tudo o que não cabe na dispensa. De todas as formas, de todos os momentos. Um pequeno ovo se quebrando e mostrando a face mais pura da vida. Meu início, meu nascimento.
E como uma pedra jogada no rio, minhas águas vibraram a cada saltitar, a cada abraço. Seguindo fielmente o compasso da canção. Do salto, do chão, do ar, do chão. Do impulso. Disparava meu coração, meu pulso firme, jogado para o ar. Jogado eu fui, diversas vezes. Contra a parede, contra o próximo. Vi meus irmãos jogando-se ao chão. Pesadelos e sonhos. Tudo uma coisa só.
Mas faltavam algumas coisas. Uma parte que eu não tinha levou minha metade que quero de volta. E quero inteira, novamente, minha outra metade. Enquanto ela não volta, minha certeza e contradição não têm cura. Não há palavra, não há pena, não há sonho e nem flauta pra se tocar. Faltava o passarinho recém nascido começar a cantar, começar a bater asas. Sua voz ainda é tão fraca, e o barulho da lona, do circo, é tão alto! Falta uma chance. Encontrar um vácuo no meio de tanto oxigênio. Encontrar silêncio em meio de tanto esporro.
Silêncio.
Uma luz se acendeu. Ascendeu, esta luz. E a voz, o grito, ecoou perfeitamente, milagrosamente, no meio daquela fração de escuridão. Medo e desejo somos. Vontade de ver os desejos se realizando, mesmo que sejam tão poucos e pequenos. Não houve nada mais importante do que me ver refletido naquela canção. O pássaro se transformou. Virou um vaga-lume.
Brincando entre os campos de tantas outras luzes acesas, o vaga-lume ouviu seu hino, sua própria canção. Mais uma vez, este pedido foi concedido. O desejo se realizou. E o destino fez com que a memória unisse o futuro, presente e passado num único momento. O momento em que nada importa e que todo aquele mar de gente parece ser parte de você. Como se fosse um espetáculo para uma única pessoa cantado por ela mesmo. Nem teatro e nem magia conseguem explicar o que acontece nessa hora. Nem palhaço, nem fantasia.
Vi lágrimas do mais forte dos homens. Vi uma unção de almas. Uníssono, todos clamando por mais um pouco de amor, um pouco de paz. Aquela paz que só se consegue quando muitos corpos se abraçam e giram. Na varanda, na palavra, na respiração.
Às vezes, contudo, quando falta uma única pessoa, parece que o mundo inteiro está despovoado. Mas não me faltou nada. Tudo o que preciso está dentro de mim. Coube tudo aqui dentro. E só enquanto eu respirar, me lembrarei. Um dia, as pessoas irão entender porque todas essas passagens musicadas por um cara lá de Osasco e sua trupe me comovem tanto. Todos saberão.
É a melhor forma que tenho para agradecer e explicar o que sinto. Hora de ir embora, mais uma vez, com a alma lavada e limpa. Livre.



Pense o que você quiser. (Y)

quarta-feira, junho 1

Errados caminhos certos.

O aperto do coração que há dias atrás me atormentava sem motivo ou explicação, agora revela-se, de súbito. Como uma premonição, como poderia eu pressentir tanta injeção de adrenalina em meu corpo, em tão pouco tempo, em tão pouco espaço? E essas sussessivas perguntas que antes fizeram parte de meu cotidiano e há muito estão esquecidas, novamente circulam e são bombeadas por cada veia e artéria. Por cada fração de segundo.
Todas as semanas de um passado recente eu caminhei, sempre no mesmo dia, sempre na mesma hora, sempre procurando aquilo que nunca quis encontrar. Aquela que sempre quis encontrar, mas jamais tive coragem de seguir, de procurar. Diante de dias longos e preenchidos com tarefas, meus receios foram justificados. Mas sempre tive a certeza de que, no fim de tudo, o mundo daria voltas ao redor de sí e o que eu queria encontrar, de fato, surgiria em meu horizonte, de súbito. Tudo o que me é necessário é que eu dê os passos certos.
Contudo, hoje resolvi pisar em falso. Quebrei a rotina de todas as semanas, sempre no mesmo dia, sempre na mesma hora. Errei de propósito o caminho, pois não queria encontrar aquilo que sempre quis achar. Passos firmes e determinantes em direção ao desconhecido, com a cabeça ocupada demais pensando nas coisas que li e nas coisas que estudei. Concentrado e nervoso. Não precisava de mais nervosismo, não hoje. Não queria ter mais uma surpresa, mais uma partícula de pensamento diário e de busca na minha mente. Não hoje.
E com passos errados e errados ao que pareciam ser certos, eu encontrei. Eu encontrei-a.
Olhando pra baixo, com rosto rosado, entristecido, ocupada com sua rotina, não pode me ver. Eu, acovardado e surpreso por encontrá-la logo ali, naquela hora, apressei-me para sair de seu campo de visão. O aperto no peito que há dias me atormentava sem motivo, oculta, agora explica-se. A alma sabia que seria hoje, nesse instante, após tantos dias passando no mesmo lugar, no mesmo dia e hora. Talvez os olhos dela não tenha encontrado os meus, mas tenho uma louca certeza de que algo dentro dela sentiu meu caminhar trôpego, vagando pelo caminho errado, certo pela primeira vez, quando eu menos esperei.
No fim, o mundo dá mesmo voltas ao redor de sí. Eu já sabia que isso iria acontecer. Aqueles olhos tristes que pude ver hoje, felizes quando encontravam os meus, apontam para outra direção agora. E a sensação ruim, o peso e o aperto, cessam lentamente. Bom saber que ela está bem, que está viva. Dá-me forças pra continuar caminhando firme, determinante e confiante. Algo de extrema importância me aguarda agora. Talvez depois, em outro dia qualquer eu volte para encarar aqueles olhos mais uma vez e permita que este corresponda o olhar.
Quem sabe um dia, num futuro próximo.




Pense o que você quiser. (Y)

quarta-feira, abril 27

Inertos passos certos.

Nem o mais otimista, nem o mais verdadeiro, seria capaz de acreditar que, mais uma vez, o mundo giraria mais depressa que meus passos e me faria trocar de direção. Talvez os mais loucos, como eu, suspeitassem desde o início. Sou inconstante, mesmo quando não quero ser. As coisas acontecem rapidamente. Tanto boas quanto ruins. E a vida dispara como o gatilho de um revolver, lançando seu projétil contra o ar, contra o futuro. Eu não posso mudar, por mais que mude em todo o instante. Sempre serei eu mesmo, até quando não puder ser sempre igual.
Abraços abertos, esperando meu retorno. Beijos e festa. E, mal chego e repouso minhas costas na cadeira velha, mal ponho meus pés cansados sobre a mesa de centro e começo a prosear com todos aqueles que me amam, o destino me convoca para mais uma jornada. Como se o meu universo fosse somente a estrada, os pontos de carona, a mochila nas costas e a bússola que não indica para onde devo ir. Um esmo objetivo, pois certas pessoas nascem para ser livres, para conhecer mais e mais lugares, mais e mais pessoas. O lar do passarinho é o ar, não o ninho. E eu voei.
Houveram aqueles que tiveram coragem de dizer que o meu retorno pra casa fora um passo regressivo. Que voltar para o lar e ser feliz era apenas mais uma forma de assumir o medo de efetuar o melhor e mais perfeito ofício que me fora dado. Mas do que adianta ter regalias e não ser feliz? De que adianta seguir firme em um objetivo que não vai te trazer nenhum tipo de alegria? Não. Eu não posso mudar. Eu posso ser a mudança, mas não posso mudar. Tenho meu próprio molde. Sou assim.
Já me acostumei com a saudade e com o vazio no peito que fica sempre que deixo alguém. Fazem parte do meu fardo, da minha bagagem. Contudo, se abro mais uma vez esta porta e saio, é porque minha necessidade de ganhar o mundo é notável, porque o caminho ainda é desconhecido. Assim eu cresco. Agarrando todas as oportunidades que me dão, fazendo de cada uma a grande jornada. Agora, desta vez, eu posso escolher algumas pessoas para me acompanhar. Poder ensinar, poder aprender e poder ajudar. Pois é preciso dar um passo atrás para poder efetuar um grande salto, sempre. Se voltei, é porque o maior dos loucos acreditou que seria necessário para conseguir a tão sonhada e saborosa queda-livre.
Não posso mudar. Posso ser a mudança. Se andar para trás é exatamente aquilo que parece ser, eu posso fingir que o mundo gira ao contrário e, então, andar para frente. Somos nós quem fazemos nossos caminhos. A vida só nos mostra as estradas.




Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, março 11

Um quase-paradoxo clássico.

Não há pesadelo pior do que querer ficar acordado e não conseguir. Lá se vão mais algumas preciosas horas da madrugada e o sono mais uma vez vence a batalha. Hoje, porém, tenho um nó tão grande e poderoso em minha garganta, que me sufoca, deixando-me em alerta e prontidão. Mais uma vez o caderno é o meu melhor companheiro em um quarto frio e escuro, onde somente a luz projetada pela tela do computador ilumina o pedaço de papel em que escrevo com a caneta falha.
Nunca quis sofrer, tão pouco fazer alguém sofrer. Mas este é o único meio que tenho para aliviar um pouco esse peso enorme que carrego dentro de mim durante todo esse tempo. E há tanta literatura e tanto subjetivismo em minhas palavras, fazendo-as parecer até que são mesmo somente textos. Mas nenhum par de olhos consegue mais enxergar além das entrelinhas. Pois o que escrevo é superficial, justamente pensando em poupar a todos do que realmente mora dentro de mim.
Tantas e tantas vezes quis sorrir. Tantas e tantas vezes quis ser eu mesmo novamente. Mas o que eu nunca consegui fazer, foi acreditar em minhas próprias menitras. Dizer em frente ao espelho que tudo está bem. Muito tempo já passou, muita coisa já aconteceu e eu, cego, ainda não consigo diferenciar pena e compaixão de sofrimento. Porque, na verdade, eu, sozinho, não seria capaz de entender. Não sou, no presente, capaz de entender, ainda, o que passa e porquê passa.
Há muito tempo queima dentro de mim uma chama imortal, que nada pode apagar. Não tenho culpa de ser assim, previsível. Certas coisas devem permanecer sempre enterradas. Se agora a batalha é contra os sonhos, futuramente será contra o interior, que se debate e tenta tomar o controle. Sem controle, sem rumo, sem vida. Até o presente momento.
Não será amanhã, quando acordar, que meu sofrimento terá se dissipado. Não serão mais estes parágrafos que estarão aqui, amanhã. Pois a cada manhã um sorriso novo é aberto para a vida. A cada manhã as esperanças estão renovadas. A hora de agir chegará, mas não é agora. Que eu espere pela eternidade, que eu perca oportunidades, mas que eu não faça das minhas ações precipitadas. Ou que eu seja inconstante e tente de tudo um pouco. Estou cansado de abrir mão das coisas que me fazem feliz, em troca de um pouco mais de inspiração. Que eu retorne a ser quem sempre fui. Sejamos francos. A hora de agir não é agora, mas poderá ser amanhã.
Talvez, amanhã eu mostre o outro lado da minha vida. A parte, maior, externa, da vida que eu vivo.




Pense o que você quiser. (Y)

domingo, dezembro 26

Reflexos e reflexões.

Minhas pernas estão cansadas.
Caminhar exaustivamente por uma estrada que não é a minha, tomando atitudes que vão totalmente contra a minha natureza e a natureza de meus antepassados. Sem descanço ou folga. Sem regalias ou exceções. Sem documento. Sem identidade. E a pergunta que sempre martelou os pregos e até os parafusos da minha mente cessou, de súbito. "Quem, realmente, sou eu?" Eu ainda não descobri, mas também desisti de querer saber.
Hoje, fitando o espelho redondo das revelações, vendo um universo ainda mais branco do que costumava ver, olho uma imagem de um ser maltrapilho. Por vontade própria, é verdade. A barba não é feita há semanas e os cabelos não são cortados há meses. Três ou quatro? Se fosse a mesma pessoa de alguns tempos atrás, poderia me lembrar com exatidão da última vez, do último trocar de olhares. Mas, agora, não me importo mais. Não consigo mais, mesmo querendo. Do que eu estou mesmo falando?
Não consigo mais fingir pra mim mesmo, tentar ser quem eu gostaria, não quem eu realmente sou. Talvez eu não saiba mesmo ser bonzinho, como minha consciência sempre disse e eu tapava os ouvidos a ela, ouvindo opiniões e seguindo-as - o que é pior - de pessoas que pouco importaram saber se era certo ou errado ou o que quer que fosse ser.
Perdoem-me, amigos. Todos viram que já me apaixonei. Perdidamente, até. Já tentei ser sincero, justo, honesto. Fui fiel aos conceitos, imparcial aos deslizes. Relevante. Comprimi uma vontade quase enloquecedora, um desejo contido com muito esforço, porque eu precisava, acima de qualquer coisa queria, ser diferente. Não ser quem eu nasci para ser. Conseguir de vez o título de ovelha negra da família. No caso da minha, ovelha branca.
Mas o espelho me mostra, agora, as cenas vagas do eu que não deveria, passando em rápidos flashs. Não me envergonho dos erros que cometi. Na verdade, não me importo com eles. Na verdade da verdade, nem sei mesmo se errei. Tentar algo novo não é, necessariamente, cometer um erro. E essa filosofia fora a única que sempre mantive de minha personalidade. Não me envergonho, da mesma maneira que não acho glória. Não me retrato, como também não consigo me desgrenhar com facilidade. Afinal de contas, não é da noite pro dia que desistimos de ser quem queremos ser pra ser o que devemos. Não é do dia pra noite que deixamos a ilusão e a fantasia bela e singular de lado para viver a realidade e reconhecer e se libertar.
Pouco importa o passado. Esquecê-lo, talvez nem queira, mas não consigo mais me lembrar daquela minha identidade falsa. A máscara branca que tampava minha face e protegia-a dos socos da vida, fora subistituida pela verdadeira - àquela - que sempre quis emergir. Por mais que tentamos, nossa natureza sempre será mais forte. E já que um dia fica impossível renegarmos quem somos, que eu seja assim logo agora, de uma vez.
Minha boca, olhos e mente estão cansados.
Hora de negligenciar o presente e esquecer o passado. O futuro temeroso, deixo para o filho da puta e burro do Sêneca. Fodam-se os velhos filósofos. Hora de dizer o que penso, também, pros que pouco me deram suporte.
Um filho da puta, canalha. E não digo isso porque me pediram - pois pediram pra escrever de forma mais beat - Digo porque estou afim de dizer. Digo porque sempre quis dizer, sempre quis ser, mesmo nunca querendo, mesmo lutando pra nunca querer. É assim que eu sou e pronto. Foda-se o que o mundo acha. Se todo mundo pensa o que quiser, eu também posso, também devo, até. Chega de ser bonzinho, chega de ser paciente, de tentar compreender. Se em todo roteiro há um antagonista - vulgo filho da puta, canalha - Que este papel seja meu esta vez. Ao contrário das outras, em que eu era o mocinho. Ao menos esta vez, dêem-me o papel que fora destinado a mim. Como sempre era pra ter sido.
Que venha mais uma nova história.



Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, dezembro 2

Algo entre as lágrimas.

Sorria. Mesmo que sua alma chore, seu coração também. Mesmo que o dia pareça improdutivo, mesmo que o mundo pareça um caus, mesmo que a vida esteja bagunçada. Sorria, com todos os dentes à mostra. Mesmo que não sinta vontade, mesmo que não queira realmente. Se de nada vale um sorriso não sincero, acha que chorar adianta? Adianta.
Chore, sim. Chore todas as lágrimas que puder chorar durante o dia. Deixa esvaziar o cantil de sentimentos, temores, surtos e instabilidades. Chore a perda, chore a saudade, chore o tempo que passou e que nenhum abraço recebeu. Chore cada lágrima como se fosse a única, como se fosse a última. Se de nada vale o choro, porque choramos em prece?
Reze. Ajoelhe-se diante de sua fé, seja ela qual for. Entrelasse os dedos, dobre as pernas, baixe a cabeça e peça, agradeça. Peça paz, peça serenidade, coragem e sabedoria. Agradeça por poder viver mais um dia para alcançar o novo e despedir-se do que não mais te importa. Mas de que adianta rezar quando não podemos enxergar o amor?
Ame. Ame e grite com todas as forças que ama. Que pode não ser o melhor amor do mundo, nem o mais correto, nem o mais bonito, mas que é verdadeiro e crescente. Ame mesmo que não seja compreendido, mesmo que não compreenda. Mesmo que com sorrisos, mesmo que com lágrimas, mesmo que com fé. Mesmo que o chão pareça desaparecer e você despencar, mesmo que pareça que ele não esteja presente, mesmo que não se possa enxergá-lo ou senti-lo. Basta olhar pra dentro. Ao redor. O amor é tudo isso. O amor é a poesia, é a música, é a energia, é a fé, é o sol, a lua e as estrelas. O amor é a cura, a doença, o vício, a tristeza. O amor simplesmente é.
Sorria. O amor está ao seu redor. E se o sorriso não basta, já ajuda um bocado!

"Nada do que possa acontecer vai tirar esse sorriso do meu rosto."






Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, novembro 18

Simplicidade.

" - Veja bem: Você sabe quanto tempo se leva para encontrar um alguém em que você diga, já no primeiro encontro, algo como 'é ela'? Você sabe quanto tempo leva para se acostumar com os defeitos dessa pessoa e aceitá-los? Sabe quanto leva pra respeitar as limitações e se moldar para encontrar o encaixe mais próximo do perfeito? Sabe quanto tempo leva pra conseguir esse encaixe perfeito? Não só tempo! Dedicação e muita, mais muita sorte!"

-
Não sei.

" - Agora imagina você: Agente leva tanto tempo pra encontrar uma pessoa que tem certeza, desde o primeiro instante, que te fará muito feliz. Insiste em se adequar àquela. Faz com que ela se adeque a você. Olha quantas pessoas há nesse mundo. Contudo, olhe antes quantas pessoas podemos contar nesse imenso mundo."

-
Eu não sei. Não sei quanto tempo leva, nem quanta sorte se usa.

" - Pior do que é ser o sacrifício de encontrar, é o sacrifício de conseguir ser feliz. Mas não há sacrifício pior do que o de, subita e simplesmente, deixar de lado tudo aquilo que se construiu. Não há fim. Não houveram últimas palavras. Mas posso afirmar que estou realmente bem e com o coração limpo. Puro novamente."

-
É. Acho que você deu pra mentir, agora.

" - Enquanto eu conseguir enganar a todos, por mim tudo bem." 

- E quanto a te enganar.

" - Impossível. Agente pode tentar fingir de tudo pra qualquer pessoa, até conseguimos nos convencer às vezes. Mas podem passar-se anos, décadas que, por mais que eu tente fingir tudo o que tenho dentro de mim, lá no fundo eu sempre saberei que é mentira. Por isso, então, eu te engano. Está tudo bem. Eu estou feliz e vou viver."






Pense o que você quiser. (Y)


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