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quarta-feira, março 14

Nova versão de uma velha visão.

“Digamos que o céu fosse o sentimento de alguém. Qual astro gostaria de ser? O sol, a lua ou uma estrela?”

Escolhi ser a lua. Não sei por que, mas sempre achei que a lua me atraia de alguma forma. Sempre soberana no céu da noite, céu dos poetas, por vezes envolta nos véus de nuvens e em outras ocasiões nua e brilhante como uma amante. Nas noites eu seria mais visível de todas as estrelas, o rei dos céus. Estrelas são milhares. Se eu fosse o sentimento de alguém, ela não iria me reconhecer sendo uma estrela igual a milhares de milhões de outras.
Durante o dia, quando o sol brilhasse e ofuscasse o brilho de todas essas estrelas, eu ainda estaria lá, mesmo menos visível, mas sempre presente. O sol seria algum outro “pretendente” querendo chamar mais atenção de minha amada do que eu. Iria tentar me ofuscar e ofuscar a todas as milhares de milhões de outras pessoas menos importantes com o seu brilho e seu calor. Todas elas invisíveis, mas eu ainda estaria lá. Sem brilhar muito, mas ainda assim ao alcance dos olhos.
O sol sempre se vai. Aparece, brilha, aquece, acolhe e é gentil. Contudo, se despede no momento em que mais gostamos dele. Sereno, belo e gigantesco, na horizontal de nossa visão, no horizonte de nossos corações. A lua fica com o cair da noite, tornando-se, logo, o nosso farol na escuridão. Estrelas são de brilho tão pequeno! São tantas! Como poderia eu ser somente mais um?

“Entenda que o que os olhos prestam atenção não é o mais importante. Quando amamos alguém, não precisamos vê-la sempre para amá-la. Além de ver, basta sentir e imaginar e tudo estará completo. Escolho a estrela, pois o amor é do exato tamanho da imaginação que tem. Não serão em todos os dias que o céu estará limpo. Não serão todos os dias que a lua aparecerá.
A lua também terá o Japão para visitar, pois o céu é imenso de mais e muitas pessoas são adoradoras dela. Haverá dias de chuva. E se num dia desses de tempestades, depressões e incredibilidade a sua amada olhar para o céu, vai encontrar, no mínimo, uma estrela. Vai rezar por dias melhores e vai olhar pra ela como se fosse seu anjo, sua salvação.
E nas noites em que se sucederem, com o céu limpo e estrelado, ela verá milhares de milhões destes pontinhos luminosos e para cada uma que olhar, verá, sentirá e imaginará sua estrela predileta.”


Mesmo assim, durante o dia eu não conseguiria ver qualquer estrela no céu. O sol ofusca, é egoísta.

“On ne voit bien qu'avec le coeur. L'essentiel est invisible pour les yeux.”



Pense o que você quiser . (Y)

domingo, outubro 24

A dor que remédio algum pode curar.

Não há nada para se temer neste momento, mas mesmo assim temo. Preso à toda essa liberdade, eu serpenteio as ruas da cidade de prédios altos, onde o minotauro é minha própria sombra de receios, dúvidas, consequencias. Minha própria teia de temores. E caminho, cambaleante e instintivo, perguntando-me permanentemente se eu sou mesmo aquele tão famoso Teseu do contemporâneo. Mas mesmo um grande herói precisa ser acolhido em braços firmes.
Não há nada para se sentir nesse momento, mas mesmo assim sinto. Sinto muito por concluir o que jamais desejei e deixar para trás o que me foi bom. Sinto por ainda me desgraçar em lágrimas inúteis, lágrimas que já são tão sonoras quanto a melodia que dobram os meus ouvidos. Como os sinos dobram na igreja, alertando a queda de mais uma grande alma. Pois até as boas almas perecem com o desgaste causado pelo tempo.
Não há nada para se fazer neste momento, mas mesmo assim faço. Fico quieto, estático, mudo. Se não sei o que dizer, nada digo. Se não sei o que vai acontecer amanhã, simplesmente vivo e vejo os ponteiros gigarem vagarosos, até que toque o doze e os sinos dobrem novamente. E enquanto o amanhã não vem, eu passo a me entreter com minhas próprias dores, meus tristes afazeres, meus sentimentos e meus temores. Pois não há dor maior do que a dor da alma. Não há remédio que cure a dor causada pelo sacrifício do que pode ser chamado de "suicídio póstumo". Pois minha alma já não vive mais, mas ainda vive para contar sua triste história.
Não há o que doer nesse momento, mas a dor é intensa. É imensa, essa dor. Dor da alma, dor da saudade, dor da lágrima e grito. Dor da meia noite, do meio dia, do dia todo, de todos os dias. Não há o que temer, não há o que sentir, não há o que fazer. Então, continuo cambaleante pelas curvas sinuosas, com espada em punho firme e cerrado, pronto para assassinar meu minotauro interior. Mas o que mais me aflinge, é a dúvida que tenho em saber se, ao meu regresso, minha Ariadne ainda estará me esperando a porta, com o seu fio dourado e pele quente, para que juntos, finalmente, sem problemas, possamos construir nosso novo reino de castelos de areia.




Pense o que você quiser. (Y)

terça-feira, outubro 5

Sete de Setembro.

"Nunca antes na minha vida me senti tão fraca. Indecisa, impotente, temerosa, perplexa e imóvel. Nada no meu corpo está funcionando como deveria. Não consigo reagir aos comandos do cérebro, ocupado demais pensando em uma simples decisão, mas que pode ser crucial para o resto da vida. O desejo de correr e se entregar é o mesmo de fugir e abandonar todas as realizações conquistadas com muito esforço. Ao mesmo tempo que muito penso, nada há em minha mente. Somente uma palavra de cada vez.
Minhas mãos agora tremulam com ferocidade. O coração bate acelerado, incansável, prestes a explodir com a onda de euforia e ânsia de tudo acontecer. Ofegante, tento eu inutilmente me ocupar com outras coisas. Música, televisão. Música e televisão. Folheio uma revista qualquer. Rabisco em um papel qualquer. Mais um gole d'água, outro e outro. Aquele maço de cigarros, antes fechado, já está no fim. Nunca foram tão necessários para me acalmar como agora. O suor gelado escorre pela minha face. As mãos geladas apertam minhas coxas ao ponto de deixarem hematomas.
A cadeira em que estou sentada parece pequena demais para o meu corpo e todo esse sentimento que aqui tenho dentro de mim. Os suspiros são ainda mais fortes agora, em que na tela do meu computador sua foto e um "oi" no messenger você acaba de mandar. Por um mínimo instante, recordei-me de todos os dias em que estivemos juntos até este momento. Meus "erros" impediram que hoje, nessa data que é de extrema importância para mim, pudessemos estar juntos e felizes. Por um momento me arrependo de todo o mal que pude ter feito para você. Penso em te ignorar e te deixar seguir em paz, ser feliz. Mas, sinceramente, de alguma forma, eu sei que a sua felicidade está guardada dentro de mim. Eu não tenho certeza disso, mas eu tenho certeza.
Entretanto, não posso voltar atrás em minhas decisões. Se tomei essa atitude, foi por ter certeza de que seria melhor para você, pois é uma pessoa de qualidades ímpares e pequenos defeitos completamente releváveis. Eu sei que não mereço sua atenção, seu carinho, seu amor. Sou uma pessoa normal, como qualquer outra, sem nenhum talento, nenhuma qualidade. Só faço te faço o mal com os meus defeitos e, sinceramente, não suporto te ver sofrer por mim. Infelizmente eu não consigo me mudar, então, decidi sair da sua vida para que você pudesse encontrar uma pessoa que fosse capaz de te fazer feliz de verdade.
Mas o que eu poderei sempre garantir é que ninguém, jamais, te sentirá como eu senti você em mim. Ninguém te beijará mais apaixonadamente do que eu e nem chorará mais do que eu já chorei. Luto todos os dias contra mim mesma para não me reaproximar e te fazer sofrer mais com isso. Sinto que não posso brincar com os seus sentimentos, pois acaba ferindo muito mais a mim.
E quando penso em sair de casa e fazer qualquer coisa que possa me fazer te esquecer, uma vontade avassaladora de te dizer o quanto eu te amo toma conta de mim. Sei que não devo e não farei. Meus olhos lacrimejam mas mantenho-me firme. Sempre com o pensamento de que isso será o melhor e a mais nobre atitude a ser tomada. Não posso dizer assim tudo o que tenho dentro de mim e te confundir, mas, infelizmente, tudo isso dentro de mim é forte demais para conseguir te ignorar.
Um último trago, um último gole e um último suspiro. Com uma revoada de pensamentos em minha cabeça eu fechei os olhos e, estranhamente, enxergando seu sorriso largo diante de mim, eu disse: 'oi :)'. Não tive um dia bom hoje, mas sei que após falar com você, o restante das horas serão bem menos dolorosas."




Acredite, eu sei de muitas coisas.
Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, outubro 1

Dias de luta, dias de glória.

Hoje acordei com um pensamento diferente dos quais haviam nos dias passados. Acordei com a sensação boa de, mesmo parecendo não haver qualquer chance de mudança, saber que posso fazer deste um dia diferente dos anteriores. Bastaram apenas alguns minutos de intensa reflexão para, enfim, descobrir tudo aquilo que realmente já me fez feliz. Nada daquilo que outrora me fez sorrir há em minha vida neste momento. O planeta gira e revira nossos pertences com consequencias de nossos próprios atos. Atitudes precipitadas, atos que ferem e magoam. Injustiças, muitas vezes involuntárias, mas que assim mesmo destroem todo o progresso alcançado com difícil esforço.
A vida, entretanto, me ensinou a nunca desistir. Mais importante do que obter ou perder coisas especiais em nossas vidas é o fato de poder evoluir com cada vitória e derrota. Aprender que quando erramos, o ideal é se arrepender e tentar se redimir. Inventar motivos e dizer que "foi melhor desta maneira" ou enumerar os prós de uma falha não a faz menor ou menos dolorosa. Aprender que deixar de mão subitamente nossos sonhos é o mesmo que sofrer para conseguí-los, sem a recompensa no fim de tudo.
Hoje eu acordei e disse para aquele velho conhecido, que há tempos não via refletido no espelho, tudo aquilo que deveria ter dito enquanto tive calma, como essa de agora. Disse que sou uma pessoa apaixonada, que sente saudades daquela que me faz bem, que já pensou em desistir diversas vezes, mas que no fim nunca irá embora sem tentar uma última vez. Que pode ser tirado de mim tudo o que tenho, mas as coisas boas que fiz pra quem amo é eterno. Marcou como tatuagem e não há esforço que possa apagar isso. O esforço é inútil nesses casos. Eu já tentei, mas não é possível remar contra uma maré tão forte quanto essa. Tentar esquecer não me fez uma pessoa mais feliz. Muito pelo contrário. Fez-me apenas pensar com maior intensidade e me lamentar, cada dia mais, por não poder ter feito diferente quando pude.
Desisti de sofrer e lutar contra os meus verdadeiros ideais. Assim como tudo foi me tirado e degráus da escada da vida eu desci, um a um eu vou trazendo de volta todos os meus melhores momentos, melhores pessoas e melhores dias. Talvez nem tudo volte. Isso é só o futuro quem determinará. Ainda assim, sinto-me otimista. Sei do que eu sou capaz de ser e fazer. Estou à um mínimo passo da minha plenitude, do meu melhor estado de espírito, mesmo ainda não tendo nada. O motivo é porque, diferentemente de antes, agora eu confio em mim como nunca confiei. Antes de desconfiar das pessoas que amo, desconfiei de minha própria capacidade. Todos temos momentos turbulentos. Todos nós já perdemos a cabeça e tomamos decisões e fizemos coisas precipitadamente. Somos vítimas de nossos próprios medos. Somos seres humanos. Estamos perdoados.
Ainda que muito sei que devo trabalhar para reconquistar minha antiga vida, um sorriso largo surgiu em minha face. Trouxe lágrimas, mas não de dor e sim de otimismo. Esse sim sou eu. Esse sim é o meu sorriso. Resgatei todo aquele talento que estava guardado no armário. Assim viverei, pois agora eu entendo tudo. Compreendo o porque das coisas, mesmo após de aprender que sentimentos valem mais do que respostas. Eu sinto. Sinto que estou no caminho certo, mesmo sem conhecê-lo bem. Mesmo conhecendo-o bem o bastante.




Pense o que você quiser. (Y)

domingo, setembro 26

Limites do acreditar.

Passei bastante tempo apenas pensando em todos os acontecimentos recentes em minha vida. A vontade de trasncrever tudo, durante algum tempo, se escondeu em minh'alma e sentiu medo de se expor de forma negativa. Contudo, assim como os dias e as noites, certos hábitos e atitude que já faz parte de nosso caráter pode partir, mas sempre volta trazendo coisas novas. Um novo sol acaba de surgir dentro de mim.
Confiança é algo que não tem feito parte da minha vida ultimamente. A ânsia de descobrir o porquê das coisas e me fazer chegar logo em um ponto final me fez desacreditar e desconfiar de pessoas que não mereciam. E não foi somente isso que fiz. Também magoei, feri e confundi. Acabei mostrando para todos um lado insano de mim. Aquele lado que lutei todos os dias para que não fosse liberto, que permanecesse adormecido durante toda a vida. Quando esse "monstro" acordou, devastou os sonhos e os sentimentos de muitos, mas nada que ele tenha feito possa superar o que fez comigo, o que eu fiz comigo mesmo.
Eu não consigo explicar com palavras tudo o que posso sentir neste momento. Apesar de sofrer em demasia por olhar um monstro diante no espelho quando deveria me ver, acredito veementemente de que isso foi necessário. Fez-me descobrir quem eu posso ser se não controlar os meus sentimentos, o que eu posso fazer se não conseguir manter a calma, a vontade de obter as respostas.
Respostas estas que obtive. Agora eu consigo ver com clareza tudo. Consigo saber o porque de tudo e vejo o quanto e como as coisas fazem sentido. Um momento de lucidez foi precedido pelo meu momento de maior loucura. Insanidade que me afastou daquela que mais tive apreço. Não consigo explicar como e nem quando eu consegui, exatamente, entender tudo o que aconteceu desde o início, mas agora eu estou no ápice do saber.
É muito difícil assumir um erro. Mais difícil ainda é se arrepender do erro que cometeu. Tentar encontrar respostas, motivos e explicações para justificar atitutes que não fizeram bem nenhum para ninguém. Pois bem. Assumo que me arrependo de cada um de meus atos recentes. Não tive motivo nenhum, mas mesmo assim fiz. Confabulei coisas por estar numa busca por respostas que agora vejo de que nada adianta. Troquei uma pessoa pela qual eu não canso de dizer que amo por respostas bobas e idiotas que não trarão de volta tudo aquilo que eu quis e já tive um dia.
"Mereço o castigo. Mereço ser excluido e esquecido. Não acreditei quando deveria e, agora que acredito, é tarde demais. O que devo fazer é tentar seguir a minha vida em paz e deixar que vivam as suas vidas na mesma paz."
Minha esperança havia esaparecido por completo quando disse isso para um velho sábio. Após contar todos os fatos e dobrar o meu orgulho ao assumir que estava arrependido, ele me fez crer que, mesmo quando tudo está perdido, desistir é a pior forma de conseguir o perdão. Disse que todos erram, mas quando se ama, se há somente vítimas. Que cada um sofre pelos seus próprios atos, não pelas consequências que eles trazem. Consequências são o que os outros pensam ou agem em relação ao que você fez. Consequências não consertam erros, atos inversos sim. Disse que pedir perdão é um alento para o sofrimento, por mais que o perdão não venha.
Agora a moeda mudou de face. Tenho um pouco de sorte de saber tudo o que sinto agora já foi sentido por outra pessoa num passado próximo e tudo o que ela deve sentir agora eu já senti. Sinto que é praticamente impossível reverter a situação, assim como já pensei. Mas, já que o sábio me devolveu um pouco da esperança que eu havia perdido, sei que enquanto ainda houver uma semente minúscula de sentimento dentro daquele coração, tudo o que eu preciso fazer é regar novamente para que possa nascer uma flor.
No fim, eu percebi que respostas nunca importa. O que agente sente é o que sempre valerá mais. Eu fiz a escolha tola de trocar meus sentimentos por respostas. Agora sofro. Mas se tudo o que eu gostava fiz questão de jogar fora na minha caminhada rumo aos desfechos, tentarei mais uma vez voltar ao início e fazer diferente. Tudo o que eu preciso é de uma chance. Na verdade, 0,02% de chance já basta. Se meus olhos lacrimejam agora, não é porque me sinto perdido, mas sim confiante. O mal que causei, as desconfianças que tive foram pelo simples motivo de não acreditar em mim mesmo e na minha capacidade antes. Agora eu acredito e sinto que voltei a ser que eu sempre fui, mas que perdi no meio da estrada.



Bon voyage.
Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, setembro 16

Mais um mês.

O tempo é complicado de entender. A relatividade foi descrita com ele, mas nem o cientista tem a exata noção do quanto ele pode ser perturbador na vida de um poeta. Se imaginação vale mais do que conhecimento, quem escreve deixa de lado ambos e passa a valer somente aquilo que está dentro do peito. Os segundos são os batimentos cardíacos, os ponteiros são as artérias e veias. O despertador é a dose de adrenalina injetada e toda a perturbação que contagia o corpo a cada passo e olhar daquela que sentimos saudades de ver. E a saudade é, ao mesmo tempo, a pilha que move tudo e a ausência dela que faz o relógio "morrer". E em meio a tantas certezas e incertezas, os paradoxos são infinitos, mas que, como tudo, sempre tem um final.
Ao mesmo tempo que durou uma eternidade, esses últimos trinta dias passaram como um carro da Nascar. Enquanto muito aprendi nesse último período, de nada ainda continuo a saber. Assim como caminhei com passos largos, não saí do lugar. Lembrando sempre tudo aquilo que fiz questão de esquecer à cinco minutos atrás e que esquecerei nos próximos cinco, pra lembrar daqui a dez e seguir a minha vida.
Não sei como se faz pra apagar aquilo que está tatuado na pele. Não sei como se consegue mentir para nosso interior e nos convencer de que "o que passou, passou". De que adianta encerrar ciclos se eles ainda estão presos dentro de nós com amarras grossas e cadiados gigantes? Há coisas que, por mais que tentamos com todas as nossas forças, não conseguimos apagar.
Em meio de acertos e tantos "erros", muitos dos quais anseio descobrir, busco, ao menos, uma plenitude temporária. Busco conhecer o meu interior e tentar desvendar em mim um lado pecador e, também, misericordioso. Se sofremos por acreditar que não há perdão para certos atos e atitudes, porque não nos perdoamos primeiro? Ou porque não buscamos o perdão?
Talvez haja ainda muito para a evolução da humanidade. Aprender que o orgulho nem sempre é necessário e que quando abrimos mão de algo, não só deixamos de ver o fim, mas também de fazer parte dele. Perder é e sempre será melhor do que desistir. O essencial é e sempre será invisível aos olhos. Palavras jamais valerão mais do que sentimentos.
Logo, se um dia eu puder ver mais uma vez aquele par de olhos, mesmo tristes, mesmo cansados, eu descobrirei o que há diverdade dentro da janela de sua alma.





Pense o que você quiser. (Y)

sábado, julho 31

A derrota do vitorioso.

Mesmo com o coração despedaçado sobre as mãos, mesmo sabendo que magoei e que fui magoado, mesmo que não haja mais certeza de nada, pela primeira vez as lágrimas escorrrem sobre a minha face com um verdadeiro sorriso estampado no rosto.
Mesmo sabendo que o fim está se aproximando, mesmo que o fim venha contra a minha vontade, mesmo que seja o desfecho de um conjunto de coisas extremamente desagradáveis e ruins, pela primeira vez o choro é de alívio, não de sofrimento.
E o sorriso que estampo na face pálida, não é somente por recordar com carinho todos os lampejos de bons momentos, mas também por ter certeza, finamente, de muitas coisas. A certeza que sempre soube e ainda sim trancava-a dendo de mim e inventava respostas e teorias duvidosas para tudo o que estivera acontecendo.
Meu sorriso é o de uma pessoa que, pela primeira vez, sabe o que vai fazer e está convicto de que é o melhor. Se choro, é porque perdemos lutas para conquistar o respeito e honra. Perdemos amigos, perdemos tempo, perdemos amor. Essas derrotas são por nossos próprios demétiros, próprios desleixos. Não há nada que nos faça cair quando nos sentimos imponentes. Não há dúvidas que nos faça fraquejar quando estamos concivtos da certeza. Nem dúvidas há. Tudo sempre é tão claro que, às vezes, assusta.
Enganar a nós mesmos faz com que as pessoas ao nosso redor sofram. Quanto mais próximo ela estiver, mais sofrerá, por ter a impressão de que há algo escondido e pensar que é a grande culpada. Eu me sinto assim, eu fiz as pessoas se sentirem assim.
O ser humano tem o dom de tomar decisões certas tarde o suficiente para não colher aquilo que plantou com tanto afeto. Eu sou um deles. Pequei por ser quem eu sou quando não precisava e deixar de ser quando se era impressindível. Não pequei sozinho, concordo. Mas pequei.
Sei que agora é tarde para lamentações. Por isso que estou sorrindo, por isso que estou chorando. Choro porque, lá no fundo da minha alma, sei de tudo o que eu podia ter feito para evitar essa reação em cadeia. Se continuo a sorrir, mesmo assim, é por ser grato à vida ao me dar mais uma oportunidade de dizer tudo o que devia e quis há bastante tempo, sem a pressão de falar algo errado e perder aquilo que amo. Agora eu não me importo com as consequencias, apenas com a minha consciencia, de mesmo que tarde para salvar um sentimento da destruição, no tempo suficiente de, ao menos, dar um motivo e não me lamentar depois.
Já sei o que eu devo fazer. Estou determinado a fazer. Porque quando agente determina, agente faz.

"Se um dia você se ver no fim de um jogo muito arriscado, onde já sabe que não há condições de vencer, não desista. Tente novamente vencê-lo, ao menos mais uma última vez. Se você perder, não terá nenhuma surpresa, pois era o resultado esperado. Surpresas podem acontecer a todo o momento. Afinal, enquanto uma partida não acaba, ainda não há vencedores e perdedores."


Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, julho 23

Realejo.

Somos como dois imãs apaixonados. Curiosamente, aquilo que nos difere é justamente aquilo que temos em comum. Estamos em sentidos opostos, com o norte apontado para a direção do outro. Por maior que seja a força que façamos, não conseguimos nos unir e nos apegar. Não posso garantir que esse raciocínio está correto. Contudo, não ter certeza de que somos e pensamos iguais é justamente o que me deixa mais certo disso. Somos incapazes de nos expor diante da ameaça de magoar a pessoa amada. E essa reclusão, dada após a pressão de se calar, acaba afetando ainda mais não só quem sentimos afeto, mas principalmente a nós mesmos.
Uma cachoeira de dúvidas e insegurança cai em queda livre rumo ao rio de pensamentos pessimistas, deduções ilusórias e fatos inexistentes. A certeza e a fidelidade dos sentimentos continuam sendo maiores, mas ainda sim somos capazes da crueldade de diminuí-los diante de problemas que não passam de obras de nossa imaginação. E o que é problema corriqueiro, típico de nosso cotidiano, acumulamos à estes, somente para fazer de desculpa e ocultar a verdadeira aflição.
Passamos, então, a nos lembrar dos piores momentos em que passamos em conjunto. Aqueles que mais nos faz desagradar, que nos dá vontade de chorar, apenas por achar ora ser muito, ora ser pouco para a pessoa amada. As tristes recordações se embaralham com questões do tipo, "ser muito ou ser pouco?", "merece-me ou não?", "Mereço-o ou não?".
Se há algo que eu aprendi nos últimos dias e que eu posso tomar como lição e passar à diante é que existem as perguntas que podem ser respondidas, existem outras que não podem e também há aquelas que não se responde com palavras, mas gestos.
Essa inquietação, tensão, nada mais é do que o desejo profundo de unir os dois nortes e não conseguir. Contestar a física e criticá-la por ser tão complicada de entender, de executar. Pois se há algo que eu tenho certeza é que quando fazemos uma força sobreumana e conseguimos unir os dois imãs com um abraço apertado, todas as perguntas inúteis se dissipam no ar. Nada mais importa, a não ser aquele momento raro, vivido como se fosse o último sopro de vida. Demasiadamente intenso, de forma que nem as recordações boas são suficientes para reconstituir aquele instante de tempo infinito e desprezível.
Pois é assim que eu me sinto. Não posso afirmar se o outro norte pensa da mesma maneira, mas mesmo assim, estranhamente, eu tenho uma leve certeza deste raciocínio ser mútuo. Por mais que não se possa ir contra as leis da física, Podemos fazer uma força Newton maior do que a resistência do imã e conseguir tocá-los por mais alguns segundos. Porque os opostos se distraem, os dispostos é quem se atraem.




Sinta o que você quiser. (Y)

quinta-feira, julho 8

Onde está minha felicidade?

A sensação é a mesma de ser expulso de casa sem saber o motivo. Ser demitido do trabalho, levar o cartão vermelho do juiz, quebrar o carro em uma estrada deserta e longe de um mecânico. Mesmo tendo a consiencia livre de culpa, não há como não se culpar e se perguntar como poderia ter se evitado tamanha dor. Recapitulamos a história. Uma vez, outra e mais outra. E com mais recordações, mais detalhes chegam e mais confusos ficamos em relação ao que queremos e o que devemos fazer.
Felicidade, definitvamente, não é algo que se compra ou que nos obrigamos a ter. Ela vem sempre de onde menos esperamos, quando esperamos e, muitas das vezes, não nos damos conta até ela partir sem dar endereço, sem permitir que procuremos por ela. E mais doloroso do que perder a felicidade é vê-la partir, sem piedade, sem honra, por medo ou pelo sei lá o que. Vê-la partir, ainda não é o pior do que vê-la partir contra nossa vontade, fazendo-nos atar os braços e apenas observar o caminhar para o horizonte daquilo que nos faz desatinar ao choro pelo simples fato de não sorrir os meus melhores sorrisos.
Eu não me conformo em saber que minha felicidade se parte para me ver feliz. Felicidade não se encontra em qualquer esquina, em qualquer bar. O que encontramos são ilsórios sentimentos que, depois passado o efeito das brejas, passa a ser arrependimento, lágrimas descomunais e mais vontade de procar a felicidade verdadeira. Se despedir ou simplesmente fechar a porta sem dizer uma palavra não é um ato de heroísmo, de força, de pulso firme. Quem abre mão das coisas que ama por heroísmo, por sacrifício, acaba não preservando, mas destruindo todos os planos otimistas daquela pessoa que se tem afeto. E se o tempo passa e cura todas as feridas, assim como um arranhão cria cascas e é capaz de regenerar a pele, essas feridas demoram demasiadamente a se cicatrizar. E quando cicatriza, não é como antes fora. Deixa marca, deixa as lembranças do tombo.
Talvez um dia eu volte a sorrir se não tiver minha felicidade aqui perto de mim. Mas o que era um sorriso largo, se transformará em um sorriso de canto de boca. Posso afirmar isso. Se um dia eu voltar a ser feliz, será uma felicidade contida, de meias verdades. Os olhos que observarei não serão os mesmos, os meus olhos também não serão. Ficarão mórbidos, cegos, obscurecidos por uma sombra de uma felicidade que me fechou as portas sem saber o que estava fazendo. Que me privou de ser feliz achando que assim me faria contente. Achando que afogar-se em sofrimento duradouro me faria mais forte e resistente. Mais amado, mais importante.
Não posso remar contra a maré e nem caminhar com os pés amarrados. O maior sofrimento é ter que ver aquilo que se mais arduamente trabalhou pra se conquistar partir e não poder fazer absolutamente nada. Não poder, ao menos, dar um último abraço, um último beijo, dizer pela última vez que eu havia encontrado o verdadeiro sentido da palavra felicidade. Dizer que todos os momentos bons foram melhores do que eu poderia imaginar e que os momentos tristes foram amenos, por apesar de tudo, ter um colo onde recostar a cabeça, ter pernas para se difundir às minhas, ter um silêncio enigmático, mas estranamente confortante. Dizer que, por mais que o tempo passar e o futuro me reserve boas surpresas, nenhuma será melhor ou me trará mais conforto do que o conforto de dois braços finos, mas que conseguem sustentar toneladas de sentimentos, tais esses que nem nome existem para citá-los. Que não haverão olhos e sorrisos como aquele, que me faz esquecer de tudo e faz todos os problemas se tornarem simples.
Desejaria ver a silueta da minha felicidade crescendo pelo horizonte, trazendo duas mãos e paciência para desatar os nós das cordas que me prendem. E mesmo que eu me corte quando um facão desfiar essas amarras, eu ainda me sentiria feliz, pois pequenos sacrifícios sempre podem ser feitos em pró de um verdadeiro motivo. Prefiro que me ranquem os olhos do que ter que ser obrigado a ter que sempre imaginar em qualquer par aqueles que eu gostaria realmente de ver. Prefiro ficar mudo à dizer que amo alguém, que não fosse aquela quem eu realmente sinto algo.
Ás vezes eu me sinto um monstro. Sou um montro por que faço as pessoas sentirem medo de mim. Pois não consigo fazer quem amo feliz e nem ficar perto daqueles que amo. É isso que os monstros fazem. Afastam as pessoas, deixam-as conturbadas e intrigadas. Pareço ofuscar e responsabilizar as pessoas por parecer ser extremamente especial. Se sou especial, é porque há um motivo para me sentir assim. Se me sinto especial é porque eu estou feliz e só sou feliz quando minha felicidade está perto, se não ao alcance das minhas mãos, ao alcance do pensamento, da imaginação. Se eu me ver em apuros, à beira de um precipício e meu amor trocar sua própria felicidade pelo meu bem, se me salvar e cair num buraco obscuro e cheio de incertezas, Eu prefiro me atirar também do que ver aquele pequeno corpo sumir e perecer no vazio. Prefiro me jogar e cair de mãos dadas, de cabeça, no mar de problemas. Pois por mais cruel possa parecer a vida, saber que não estou no infinito da escuridão sozinho já é uma pequena luz que ilumina o caminho. Uma luz que só quem sente consegue ver e imaginar. E é essa luz que eu sempre vejo refletida num rosto de pele branca e rosada. Uma luz que só nós podemos ver.
Quero viver de pequenas tristezas, que são espinhos do trajeto, mas com uma alegria singular, rara, única, ímpar, completamente distinta de qualquer outra que possa aparecer no meu longo caminho pela vida. Não quero ter que caminhar com o peso de ser obrigado a viver com pequenas alegrias e uma grande tristeza, que é a de não poder ter a minha felicidade andando de braços dados comigo. Porque quando a felicidade parte, com ela está um pedaço de mim que eu dei e que não se pode devover, pois marcou como a tatuagem marca a pele. E mesmo que eu apague ou rasgue as histórias de quando eu era feliz das minhas escrituras, estas jamais sairão da minha mente. Agente pode enganar todos, mas a nós mesmos não conseguimos. Não posso me enganar ou me obrigar a querer aquilo que eu não quero. Entretanto, infelizmente eu não sou capaz de fazer além do que está ao meu alcance.
O poço fundo de águas de sofrimento eu tento esvaziar com minha xícara de chá. Mas só posso tirar água até onde os meus braços alcançarem. Será doloroso, demorado e, no final, todo esforço não vai acabar com o sofrimento. Pode diminuir, mas acabar não pode.
Se há muitas coisas que eu ainda não sei, ao menos uma certeza mesmo. Eu sei onde é, quem é e como é que eu posso ser feliz. Agora eu rezo, de olhos fechados, para que o único motivo pelo qual tem me tirado verdadeiros sorrisos do rosto, feito meus olhos brilharem, volte e me desamarre de todos esses males. Mesmo que pra isso eu precise me machucar mais um pouco. Não me importo. A dor é despresível perto do sentimento da perda, da partida. Que retorne, enxugue meu rosto e me deixe enxugar o seu. Que me deixe perdoar, deixe perdoar a mim mesmo, deixe entrelaçar os corpos. Deixe correr nas veias mais um pouco de desejo, mais um pouco daquela vontade de ficar perto, de ficar junto. Que esqueça o que passou, esqueça o que possa acontecer de ruim a frente e pense sempre somente no quanto felizes podemos ser quando estamos lado à lado. O quanto eu fico estuperfato de felicidade e o quanto gozo dela quando há um corpo cujo sentimento está além da compreensão humana. Sentimento cujo somente quem sente sabe como é. Que me faz voar com os pés no chão.



Pense o que você quiser. (Y)


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