quinta-feira, março 10

Em tradução.

"Imagine que cada um aqui deva ter um sonho. Se agente aprender a vê-los, vai descobrir  e sentir  que eles estão muito perto. Muito perto."

E quem dera que o muito perto fosse mesmo ao alcance das minhas mãos. Meus braços longos, capazes de abraçar todo o infinito, tornam-se frágeis e pequenos para conseguir encontrar, às cegas, esta jóia rara que é o sonho e a sua passagem para realidade. Nem tudo pode ser traduzido para palavras. Nem todas as palavras, inclusive, podem ser traduzidas em outros lugares, outras línguas. Nem todo pedaço de pedra pinta o chão, nem todas as batidas são de coração. Nem tudo que tem fim, tem começo. Toda casca tem o seu interior. Sempre, atrás de uma máscara esconde-se um rosto aflito, aflingido, triste.
Atrás de um nariz, surge um palhaço. Dizendo, recitando e cantando. Nada mais do que eu preciso ouvir. Nada além. Nada daquilo que deveria ser dito, mas que fora, pois é o que o momento pede.
"- E o mundo é perfeito"
E quem dera fosse mesmo tudo perfeito. Seria perfeição se eu olhasse para o lado e pudesse ver aquele par de olhos e o sorriso belo. Dentro do ônibus, que agora viajo solitário e observo o casal da frente contando sobre seus passados, penso em como seria bom ter aquelas mãos macias entrelaçadas nas minhas, cabelos brilhantes espalhados pelo meu peito e cabeça encostada no meu ombro. Sonho ainda não real. A realidade que regrediu e tornou-se sonho novamente.
Seria perfeito se fizessemos qualquer dia o dia do nosso aniversário. Dividíssemos um copo de bebida, um cigarro ou outra droga qualquer, só porque somos jovens. E a canção punk que declama, ironicamente, tudo o que não sai da minha cabeça, poderia ser substituida por uma de amor. Seria gritar para todos e deixar todos sabendo quem manda, quem é dona, quem domina.
Seria perfeito se essas lágrimas que já seriam capazes de formar um rio fossem transformadas em mais um único beijo. Aquele que espero, ainda, todos os dias, todas as noites, na hora em que acordo, na hora em que vou dormir. Te levar comigo poderia ser de carne e osso, não só em sentimento, pensamento. Difundir nossas almas novamente. Meu corpo pede um pouco mais de alma, mas a vida não para para a trasnfusão.
Seria perfeito se eu pudesse traduzir saudade para outras línguas, em outros lugares. Para que eu pudesse dividir este fardo enorme, que carrego e que não suporto mais carregar.



Pense o que você quiser. (Y)

2 comentários:

Géssica Barros disse...

Na vida é muito melhor fazer do que lamentar-se por não ter feito !

;)

Marianna Rocha disse...

Um texto maravilhoso, como sempre!


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