segunda-feira, agosto 30

Incompleto

Será que há redenção para os seres de coração puro? Será que há recompensas por fazer coerencia de razão com coração? Será que há gratificações para os justos, sinceros e verdadeiros? Para aqueles que chegam à beira da ingenuidade somente para proteger a integridade do próximo? E para os que renegam os instintos e agem de maneira racional?
Sinceramente, conforme os dias passam, a vontade de ser uma pessoa moral diminui cada vez mais. Vendo que os outros usam clausulas para justificar a falta de respeito, burlar algo que me parece inflexivel tem sido a única a enxergar nesse mundo de sombras, medo e desconfiança. A trapaça é o caminho mais curto para o sucesso. A mentira e a omissão confortam e fazem de nós aquilo que não somos.
Não existe um padrão do que é errado e do que é certo. Ninguém pode tomar decisões por mim ou achar que me esconder um segredo que me afetaria diretamente resolve todos os problemas. Caráter não é preservar. Preservar não é proteger, mais sim mostrar o que é a vida de verdade e tudo é feito contra nós têm os prós e os contras que fazem o equilibrio da balança. Não posso convencer a ningém deixar de ser o que se é por pena. Não posso permitir que sintam pena de mim por fazer algo que me desagradaria. Assim como não posso usar argumentos duvidosos para fadar uma certeza.
Lealdade não significa não magoar. O verdadeiro significado é nunca falhar com a honestidade da palavra, nunca deixar de participar e aconselhar, mesmo não se considerando a melhor pessoa para aquilo naquele momento. Não existe no mundo dor maior do que sentimos quando tudo está em silêncio. O mundo, além de envolto às névoas, agora é mudo. Não acende a luz do sol, não diz o barulho do mar, da cachoeira.
Por mais que a insanidade e a fúria tome conta de nós ao receber uma notícia ruim e inesperada, um tapa dado na cara seguido de um pedido de desculpas vale muito mais do que um olhar vazio te encarando, sabendo que têm muitas coisas pra falar, mas que, mesmo assim, adota o discurso das tartarugas. Escondem-se em seus cascos temendo o perigo. Escondem-se dentre os próprios pensamentos e vontades contidas, pelo simples fato de achar que está preservando o próximo.
Se haverá redenção para mim um dia, sinceramente não sei. Se me transformarei nessa tartaruga preservadora, também não sei. O que posso garantir é que não mudarei por nada e nem por ninguém. Descobri que tentar mudar pelas pessoas é uma grande perda de tempo. Depois elas se vão e as mudanças ficam. Sempre, então, que você se olha no espelho, se depara com alguém que não sente mais o menor prazer em ver.




Pense o que você quiser. (Y)

domingo, agosto 29

A dança do anjo e das serpentes.

Sinto o cheiro do sangue da discórdia e desconfiança. Aqueles que hoje estão conosco podem tornar-se inimigos mortais. Os fatos são esses. O caminho é único para cada pessoa. Tendemos a fazer aquilo que queremos e sentimos, individualmente. Nada de pensar no próximo, no coletivo, no que é melhor para aqueles que nos cercam e que temos afeto. A vontade carnal supera o brilho intenso de uma amizade talvez inabalável. Sangram os olhos, sujam as mãos e o dever é cumprido. Nada de se perder boas oportunidades, mesmo que para isso, o coração de alguém seja dilacerado.
Contar segredos é alar as serpentes e aliar nossa pureza fadada sempre ao fracasso com decepção, sofrimento e ingenuidade. Ainda há crianças dentro de cada um de nós. Acontece que, cada dia mais, essas crianças morrem prematuramente, assassinadas pelo monstro, pelo vírus que consome e infecta cada um através da mídia, da má convivência e da sede da vingança.
Troquei as vendas nos olhos pela cegueira permanente. Furei meus olhos para não ver o mundo definhando em minha frente e eu não poder fazer nada para salvá-lo. O mundo pelo qual eu não fiz nada contra e mesmo assim me ataca com verocidade. O mesmo mundo em que vivo é o qual faz questão de me prender, escravizar.
E são tantas mágoas que também não consigo mais sentir nada. Não choro, não sinto felicidade. Esperando apenas a paz de espírito, entro em conflito com meu interior e exterior a cada instante. A mesma mente que trabalha initerruptamente, vive momentos ociosos. Só consigo pensar em não pensar em nada. Só consigo ver rostos de siluetas e ouvir vozes uniformes. O ar que eu respiro não há cheiro que não seja o da desconfiança daqueles que já me ofereceram seus melhores perfumes.
Não há certeza de nada daquilo que guardo em minha mente. Um dia essas certezas virão. Mas enquanto espero-as, preocupo-me em me preparar sempre para o pior e mais sangrento combate que terei contra a vida e contra os meus ideais. Um dia de cada vez. Estudando todos ao meu redor, sem exceção. A serpente pode despertar de dentro de qualquer um. Principalmente daqueles que sabem o meus pontos fracos.
Tenho dançado conforme à música. Lenta, fúnebre e sonolenta. Sou agora o reflexo do espelho, não mais o corpo diante dele. Aprendendo a falar menos, observar mais. Aprendendo a combater as serpentes com armas selestiais. Preparando-me para as consequencias. E por falar em preparar, não importa o quanto estamos prontos, sempre estamos sujeitos à surpresas. E a certeza de que me surpeenderei com meu futuro é a única coisa que eu posso garantir no momento.



Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, agosto 26

Novas diretrizes para tempos de paz.

Não há um ser humano sequer em nosso planeta que não já tenha perdido a calma, a serenidade e a razão. Não existe pessoa que não tenha sofrido, chorado, se machucado. Também não há quem nunca feriu e fez sofrer. Somos todos um punhado de bem e de mal que, diluído aos nossos sentimentos, transformam-se em uma vitamina de idéias, ações e consequencias.
Somente depois que tudo passa, ou praticamente tudo, percebemos o quanto de errado e de certo fizemos em determinadas ocasiões. Aprendemos a entender a parte que está dentro de nós e criamos paciência para esperar a outra parte do entendimento, que está espalhada por todo o resto do mundo. As suposições tornam-se escassas, a mente começa a buscar novos objetivos, o corpo passa, lentamente, a descansar em paz todas as noites.
Numa busca voraz pela felicidade, esquecemos-nos de que ela nunca durou e nem nunca vai durar para sempre. Momentos felizes existem, tristes também. Mas podemos viver momentos tristes ou felizes em paz. Essa sim deveria ser a verdadeira busca. A pela plenitude do espírito e a da coragem de brigar pela trégua dos conflitos internos e externos.
Lamentamos, muitas vezes, por estarmos em certas situações. Entretanto, não há ninguém suficientemente forte para nos manipular e nos fazer afundar. Estamos onde estamos por sermos o que somos. Somos o que somos porque queremos ser. A vida é uma moeda. Em qualquer escolha, sempre haverão duas faces, dois caminhos, o bom e o ruim, o dia e a noite, o cara e a coroa, o maior paradoxo que a vida já pode nos dar. Quando nossas escolhas caem com a face para o desconhecido, sentimos medo por perder a aposta. E quando há uma sequência de perdas, a mente torna-se frágil, carente e tudo o que acontecer de ruim pode acabar por parecer ser a pior coisa que já nos aconteceu.
Aprende melhor quem aprende errando. Vence melhor quem sabe como é perder. Por isso que o melhor nem sempre é aquele que vence sempre. A dor da perda nos deixa mais virís. O arrependimento dos erros nos fazem compreendê-los melhor e não repetí-los.
Como me disse uma sábia, certa vez, "Se queremos algo, que seja na subida, pois as decidas são fáceis demais, rápidas demais"
Sempre só daremos valor àquelas coisas que são difíceis de se conseguir. Foi assim, é assim e sempre será assim.




Pense o que você quiser. (Y)

segunda-feira, agosto 23

Entre a capacidade e as feridas.

Achei que estava calejado de desilusões. Outrora havia julgado que senti todo o sofrimento possível e que jamais tornaria a tê-lo. Nunca mais senti aquele sofrimento de antes, mas a dor agora é pior e mais intensa. Ultrapassa todos os limites que o corpo pode suportar. Nunca antes pus a mão no peito e o massageei, tentando inutilmente amenizar a dor. Nunca antes sonhei tanto com uma mesma pessoa, lembranças boas, ruins, e coisas que não aconteceram mas que gostaria ou não que acontecesse.
Achei que estava maduro e adulto o suficiente para encarar a vida e todas as suas desilusões. Outrora havia pensado que um raio não caia duas vezes no mesmo lugar. E, de fato, ele não cai. Fui atingido no fundo da alma com uma atitude que, mesmo esperando que aconteceria mais cedo ou mais tarde, não pensei que seria justo naquele momento em que eu carregava toneladas de novos planos e propostas. Cegou meus olhos de tal forma, que não consegui raciocinar numa saída lúcida para tal situação, permiti, então, que meus instintos e mecanismos de defesa agissem por sí só. Sofri mais, me machuquei ainda mais, por não dizer, fazer e agir da forma com que eu realmente gostaria.
Achei que era capaz de controlar a minha mente em toda e qualquer ocasião. Outrora havia determinado a mim mesmo não conhecer o que era a felicidade, o amor. E esses sentimentos eu descobri que só existiram enquanto acreditava neles. O que vejo agora não é amor ou felicidade. É algo que não tem nome, denominação. É algo que te leva do céu ao inferno com somente um único passo, que nos faz a melhor e a pior pessoa ao mesmo tempo, que nos faz assumir a culpa e a responsabilidade de tudo, mesmo sabendo que não é essa a verdadeira realidade. É algo que não se pode lutar contra, mesmo quando o fim chega. É um sentimento que não se pode simplesmente jogar no lixo, porque ele é auto suficiente e se regenera dentro de nós sempre que tentamos excluí-lo. Talvez se ele deixar de ser alimentado possa morrer um dia. Mas deixá-lo morrer faz sofrer tanto quanto mantê-lo vivo.
Achei que conhecia os segredos e armadilhas da vida. Outrora havia constatado mudanças dentro de mim e um amadurecimento quanto aos sentimentos. Realmente eu amadureci. Criei coragem para seguir em frente e arriscar algo maior, verdadeiramente puro e sincero. Acreditei que encontraria a paz ao observar um sorriso, a liberdade ao me fundir e me prender em outro corpo. Realmente mudei de opinião. Agora eu tenho certeza de que não haverá sentimento maior, mais puro, mais forte e que me entristeça tanto. Posso até encontrar alguém que seja capaz de me proporcionar sentimento maior. Entretanto, eu já guardo dentro de mim o infinito do infinito. Não há mais lugar para nada.






Pense o que você quiser. (Y)

Colcha de retalhos.

Peguei minhas coisas e joguei-as dentro da mochila suja. Queria ir embora, precisava ir embora. Não deveria, não gostaria e não agüentaria ficar para presenciar o fim de tudo. Da varanda, um alguém de olhos distantes e chorosos observava a triste cena. Lá se ia o barquinho de papel ao encontro do mar. Partindo solitário, em direção ao imenso mar de gente. Toda aquela nossa magia se acabou. A casa ficou pequena e apertada demais para nós dois. Talvez eu não quisesse ir, é verdade. Mas você é capaz de me esperar voltar? É capaz de cuidar de si mesma, enquanto eu encontro respostas? É capaz de compreender que eu parto pra ter certeza de que você é mesmo tudo aquilo que me faltava? Ouvi dizer, certa vez, que os dispostos se atraem, não os opostos.
Isso não é uma carta de amor, não é. São pensamentos soltos que vieram agora em minha cabeça, como um trovão corta o céu tempestuoso. Quero que tente entender o que nem eu entendo. Não sou um sujeito normal, você sabe muito bem. Faço as coisas que me vem em mente, digo-as sem o menor resguardo. Sempre fui assim. Posso não agüentar viver sem sua presença, sem seus carinhos, mas preciso de um tempo livre de suas maluquices, caretices.
Aonde quer que eu vá, saiba que estará sempre presa dentro de mim. Meus sonhos vão te buscar todas as noites, para caminharmos num jardim florido e perfumado. Levarei-te no olhar, para qualquer lugar, por todos os dias, até a minha volta.
Nessa viagem, aprenderei a dançar tango, limparei o metrô, andarei pela Bahia. Pretendo ficar rico, voltar e te levar pra outro lugar, além do sol, além do mar. Apesar de tudo, dentre todas as mulheres que tive você foi diferente, com você foi de primeira. Fiquei sem chão, sem ar, quando te vi pela primeira vez. Sabe muito bem disso. Se quiser saber pra onde eu vou, te digo: Olhe para o sol em um dia de céu azul. É pra lá que eu estou indo. Caso não tenha compreendido tudo o que eu quis demonstrar com esse bilhete, eu digo apenas:

Pense o que você quiser. (Y)
(05/02/2010)

sábado, agosto 21

Luz no fim do banho.

São tantas palavras, tantas frases, tantas opiniões, dúvidas, sugestões da verdade, que me perco em cada parágrafo de pensamentos. A torrente de água gelada em minha cabeça só faz misturar ainda mais as idéias e desconfiar mais do futuro triste e fatal. Não me faz acordar da embriaguez do dia anterior, não me faz lembrar de nada, também não me faz esquecer coisas que gostaria muito, se pudesse.
Uma lacuna gigantesta ainda está por preencher. Páginas e páginas de um livro com uma história tão intensa, mas que um bom pedaço simplesmente deixou de ser escrito, ou se foi escrito, deixou de ser publicado. O chuveiro ligado e derramando sobre a minha face a bênção e a dádiva da vida, não vem consigo esclarecimentos. Não tras de volta, também, o estado sóbreo do meu corpo, após shots de vodka pura da noite que se passou.
Assim como a água já derramada, tudo em nossas vidas passa. E se o banho leva embora as impurezas, a vida também nos leva coisas que julgamos impressindíveis. Ela nos prega peças, nos surpeende e nos faz perder e ganhar a todo instante. Estou limpo. Limpo de felicidade, de harmonia, de amor, de misericórdia. A vida, em mais uma de suas surpresas, me esvaiu desses sentimentos. Por vezes me conformo, em outras sinto raiva, ou até tento ignorar. Mas não é fácil ignorar ou se conformar com um espaço enorme vazio dentro de sí. Não é fácil lidar com a perda, com a derrota, com a pena.
Tenho consciencia de que, pouco a pouco, esse espaço será preenchido com diversas outras pequenas coisas. Oque me pergunto, entretanto, é se eu serei mesmo capaz um dia de preencher novamente esse espaço, tentar escrever alguma coisa nas páginas em branco do livro. Sofrimento como esse que sinto agora eu não desejo a ninguém, nem a mim mesmo, numa próxima vez.
Há peças que acabamos perdendo, mas essas são únicas e insubstituíveis. Não haverá peça ou frase que se encaixe com perfeição. A mesma gota d'água não toca duas vezes a nossa pele. Não nos faz lembrar, mas não nos faz esquecer. A vida não nos tira nada, nem nos dá. Mostra apenas os caminhos pelos quais devemos percorrer, ou que somos obrigados a percorrer.



Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, agosto 20

Olhos fechados e mente vazia.

É preciso um coração para escrever um bom texto, como dizem todos os poetas. É preciso sentimentos, tantos bons quanto ruins. É preciso um plantel bom de palavras, um pouco de imaginação e sensatez, mesmo que, no fim só reste frases insensatas. É necessário uma dose forte de bebida, certas vezes. Para poder fazer renascer aquelas sensações cujas não queremos recordar enquanto estamos sóbreos e conscientes. É preciso entender que há coisas que não se explicam e, por mais que remamos contra a maré, tudo tem um início, meio e final.
Não sairá, desta vez, qualquer texto bonito de minhas palavras reunidas. No local onde estivera um coração um dia, agora há só um músculo que bombeia o sangue para o resto do corpo. A dor é tamanha, que chegou a me adormecer e me anestesiar. Meu veneno é a minha própria cura. Não consigo chorar, tão pouco sorrir. Sou um especrto vagando pelas ruas, assustando a todos com minha frieza e indiferença. E, quando tentam aproximarem-se de mim, não trato mal, mas também não trato bem. Não consigo mais diferenciar os rostos das pessoas, não consigo mais reconhecê-las, pois agora são todas iguais.
Eu não sei mais o que digo para as pessoas, não tenho me importado mais. Depois de descobrir que buscar a felicidade é o mesmo que buscar a sinfonia ou a onda perfeita, constatei que também não seria infeliz. Há apenas momentos felizes e tristes, não há plenitude nesses dois extremos. Da mesma maneira que o passado eu guardo numa caixa dentro da minha mente, o futuro passa a não me interessar mais. Shakespeare me alertou, certa vez, "O terreno do amanhã é incerto demais para os planos. O futuro tem o costume de cair em meio ao vão". Não há o que acontecerá. O que aconteceu, já aconteceu. A única conjugação a ser usada nos verbos, tem que ser a primeira. Eu, no presente. É só assim que conseguimos descobrir a simplicidade das coisas, proporcionar momentos felizes a nós e a todos ao nosso redor.
Não leve a mal, não sei o que eu estou escrevendo, não sei o que estou pensando. Acredito que nem esteja conseguindo pensar em nada que não seja qual será a próxima palavra inserida no meu bolo de babozeiras.



Pense o que você quiser. (Y)

terça-feira, agosto 17

Ponto, parágrafo.

Diversas das pessoas ao meu redor, entre diversos elogios quanto a mim, chegam à um denominador no seguinte ponto: O meu talento natural e impressionante para a escrita. Por minha modestia até acho certo exagero da parte destes, ao falar que sou um fenômeno da escrita, quando simplesmente torno-a apenas um pouco mais fácil. Correto, admito que escrevo bem, mas não o suficientemente bem para ser rotulado com todos esses títulos que me cercam.
Há dias em que acordo com ódio de tudo que escrevi no dia anterior. Dias em que eu vejo que não valeu a pena gastar o tempo, a tinta da caneta e a concentração com palavras que não surgem mais efeitos ou que não tem mais significância para certas pessoas. Então, em um acesso de fúria, rasgo todos os manuscritos e jogo-os no lixo. Quando conto o que faço com meus textos, os próximos a mim se assustam com tamanha incredibilidade. Tratam meus textos como jóias únicas, preciosas. Lamentam por não terem conseguido ler ao menos uma última vez.
A vida também é assim. Há dias em que acordamos com ódio de tudo o que aconteceu no dia anterior e anseia por mudanças. Então, num acesso de fúria consciente, joga fora tudo aquilo que não mais quer e todos ao redor lamentam e dizem "Mas porque você acabou com algo que era tão lindo?". Na nossa passagem pelo mundo, ganhamos algumas coisas, perdemos outras e jogamos fora o resto. Quando eu escrevo, faço isso. Ganho alguns textos e os adapto em minha forma de escrita, dou alguns e outros jogo fora, sem dó, sem pena.
Sinceramente, não sinto falta de nenhum deles. São só textos, são só palavras. Talvez hora ou outra bata a saudade de como era bom escrevê-los, de como eu escrevía-os. Talvez, somente isso. Entretanto, passam-se alguns dias e eu já até me esqueço da precisão com que usei aquelas palavras e é, então, chegado o verdadeiro fim. Tão simples como abrir a lixeira e jogar fora um papel amassado.
Dia após dia, vivemos testando aquelas pessoas que estarão sempre conosco. Aqueles "textos" que jamais serão esquecido ou até emoldurados seus escritos originais. A perda na vida de certas coisas, certas pessoas, certas diretrizes é eminente. É o mundo girando e nós caminhando em sentido contrário para acelerar o processo. Não é retroceder, nem progredir. Simplesmente, viver. Simplesmente buscar a felicidade que é algo platônico, mas que não conseguimos sequer respirar sem ter o pensamento de que pode conseguir o seu lugar ao sol. As pessoas ao meu redor lamentam-se pelos textos perdidos, mas acreditam sempre que eu voltarei com aquele sorriso largo de sempre com um texto melhor e mais belo. É a superação. E se eu posso tornar os textos simples e melhorá-los cada vez mais, também posso fazer o mesmo com a minha própria vida. Se uma história bela eu perdi, fora jogada fora, não faz mal! Posso, com toda a certeza, rasgar o que sobrou, jogar no lixo e escrever outra história mais bela ainda.
É assim que escrevo, é assim que pretendo viver. Ponto final.




Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, agosto 13

Sarau para as paredes.

O retrato retrata as frores do jardim. Um porta-retrato de uma vida marcada e retalhada de esperança e sonhos. Voe, fugindo de uma realidade que finge ser sonho.
Sentindo a prosa poética, poesia genética e molecular, sinto-me possesso e possessivo de uma vida inteira. Vida esta, que me deixa sem chão, sem sono, sem ar, sem documento. O vento. Correntes invisíveis que me prendem no lugar de onde jamais deveria ter saído, mas que insistentemente penso em não mais ficar. Congelado como um refrigerante do bar ao lado do meu lar, de frente para a ponte, aonde, aonde mora a minha pequenina felicidade.
Pra que muita idade e experiencia? Se o que importa é a descencia, a docura, a loucura e a jornada. Caminhando em busca de uma aventura que não tem fim nem meio, só inicio e o receio, de cair no primeiro que surgir. Pense em um ato covarde. Fugir? Talvez seria a melhor opção. Mentir? Talvez seria só por precaução. Ou será de meu dever, dizer o que penso e o que faço, somente para manter minha reputação.
Convoco uma reunião. Preciso dizer para todos os que conheço, que sou parte de um infinito imenso universo, que me acolhe e me transcreve, em versos e estrofes, fatos e relatos, notas e tons de melancolia.
Amigos meus são as porcelanas, as estátuas e as paredes. É pra quem declamo agora toda minha loucura e insanidade. Prioridade para aqueles que estão sempre presentes, dia e noite, semana e mês, ano e década.
A cada "tic-tac" do relógio velho entre as porcelanas, estátuas e parecedes, meu coração faz um "tum-tum" misterioso e severo. Bate pequeno, aflito, afringido e ainda sim astuto. Persuaviso de uma forma irreversível, enganando até a mim mesmo, fraco demais para uma resistencia. Persiste, jovem rapaz, até encontrar sua paz, até encontrar seu amor, fugir da dor ou morrer na cruz, como o homem Jesus.
Jesus morreu pelos judeus, pelos ateus e pelos pecadores. Morreu por sua ingenuidade, por sua bondade. E se até ele ressussita, por que não posso deixar minha loucura elouquente e partir em busca de um novo infinito?



(19/10/2009)
Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, agosto 12

Variáveis do tempo.

Há ocasiões em nossas vidas em que parece que mais nada importa. O passo dado à frente não move nosso corpo, o grito, busca pela paz, não nos conforta. Resta apenas o conformismo de observar o relógio girar os seus ponteiros lentamente, dia após dia, até o momento em que nos enxergamos saturados das limitações e, finalmente, respiramos fundo e nos levantamos da rede de rotinas e decepções.
O tempo é um termo que, não importa o que façamos, sempre estará presente em nossas vidas. No entanto, é impressindível sabermos lidar com ele com o máximo de harmonia possível. Nem sempre ele soprará ao nosso favor, nem sempre ele será generoso e espaçoso. Há ocasiões em nossas vidas, as boas principalmente, em que o tempo passa tão ligeiro que não o percebemos. Acabamos deixando coisas por fazer, pessoas por ajudar, dívidas por pagar.
Não é arrependimento, tão pouco tristeza por deixar te ter feito uma série de coisas por conta da falta de desportividade do tempo. Momentos bons e raros são únicos. Ainda assim, as recordações aquecem o peito como se eles estivessem sendo revividos naquele instante em que a lembrança vem à mente. Devo um abraço ao meu amigo, mas não tive tempo de ir lá abraçá-lo. Devo um dia de praia a mim, mas não pude comparecer ainda, por falta de tempo. Um beijo de boa noite na minha amada, que ainda não dei por não conseguir uma sobra no tempo.
Mas o tempo passa tão lentamente agora. Agora que tenho todo o tempo do mundo para fazer tudo, ele ainda é mais longo do que eu precisava. Porque não há um padrão? Seremos eternamente escravos de suas vaidades e quando temos tempo, temos muito tempo de sobra. Já quando ele é apertado, parece mesmo não existir!
Há ocasiões em nossas vidas, como hoje é a minha, em que parece que nada importa. Tenho tempo de sobra pra fazer tudo, mas não posso. O tempo é nosso maior aliado e nosso pior inimigo. Nos dá com uma mão e nos tira com a outra. Se tenho o relógio em meu favor prara pagar dívidas, ajudar pessoas, fazer coisas, não tenho pernas para caminhar, não tenho pulmões para respirar e olhos para enxergar. Quando as efermidades passarem, o tempo também passará e continuarei a dever muitas coisas que eu não gostaria, mas que é uma dívida eterna com aquele que não pedimos nada, mas que mesmo assim devemos.



Pense o que você quiser. (Y)

sexta-feira, agosto 6

A Fênix.

Havia tempo em que eu não sentia o ar saindo dos meus pulmões tão quentes como que se estivesse à beira de um vulcão ativo. Havia tempo em que eu não sentia o meu sangue pulsando com violência nas veias e meu coração palpitando como um prisioneiro dentro de uma camisa de força. Havia tempo em que eu não sorria sem motivos, chorava de alegria e levantasse as mãos aos céus para agradecer, não para pedir e implorar mudanças na minha vida.
A impaciência corroeu meu corpo lentamente, durante muito tempo, deixando-me fraco, indisposto e muito perto da morte. A situação era crítica ao ponto de eu já conseguir sentir um laço forte me puxando para o além, uma luz envolvendo a alma e me levando para outro patamar.
Estava nas cinzas, esfarelado e desfigurado. Deitei em meu leito, em meu ninho, e deixei-me consumir pela chama que é a morte.
Agora, meu corpo amanhece, meu sangue queima e eu respiro aliviado. Estou revigorado, cheio de idéias e de novos objetivos. Minha pele recuperou a cor e minhas costas e braços agora são capazes de suportar problemas tão pesados quanto os elefantes.
Não sou tão fraco assim como alguns pensam. É quando eu estou nas piores situações que uma força sobrenatural sai de mim, reerguendo-me e empurrando-me sempre à diante.
Hora de alçar vôo e ir ao encontro de mais uma jornada perigosa. Deseje-me boa sorte e...





(04/03/2010)
... Pense o que você quiser. (Y)

quinta-feira, agosto 5

Dois pontos.

Horas se passaram enquanto um caderno vazio ansiava por palavras diante de mim. Ansiava por mais um surto literário, frases de efeito, de difícil entendimento. A vontade era tamanha que haviam períodos durante todas essas horas em que ele parecia falar comigo. Suplicava para que alguma coisa pudesse ser escrita em suas linhas, que alguma coisa pudesse ser compartilhada e guardada por sua capa grossa de papelão. Mas não houve nada na minha cabeça durante todas essas horas. Ou quase nada.
O que havia dentro de mim não eram "subidas íngremes", "alçar o voo da imaginação" ou "nova-mente". Não haviam as dúvidas, o resgate ao passado, o que era certo e o que era errado. Tentando transmitir para imagem, desenhei um pequeno círculo no centro da página aberta. Era tudo o que eu queria e precisava dizer. Um ponto, somente um pequenino e simétrico círculo diante de uma folha completamente vazia.
Horas se passaram enquanto eu encarava o caderno vazio, tentando encontrar dentro de mim qualquer coisa que pudesse compartilhar com meu querido amigo e acabar com sua angústia. Tudo que eu consegui foi colocar um ponto. Se qualquer pessoa observar aquele gesto, não verá mais do que aquilo que pode ver. Mas pra mim, aquele ponto significa uma infinidade de palavras que poderia ter dito.
Desenhei mais um circulo exatamente igual logo ao lado. Estava terminado o meu texto. Estava alí tudo o que eu precisava dizer. Dois pontos, um apontando para o outro, prestes a reproduzir a explosão do Big Bang. após esse choque, milhares de milhoes de palavras preencheriam não só aquela folha do caderno, mas todas as outras e todas as folhas de todos os cadernos ainda vazios que em meu quarto guardava.
Esses dois pontos eu apelidei de certezas. A certeza do que eu sou capaz de fazer e a certeza do que os outros são capazes de fazer por mim.




Pense o que você quiser. (Y)


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