sábado, abril 2

Em tom de partida.

Tudo pode mudar. O fato é que se olharmos para o mesmo lugar no segundo seguinte, este foco não será como da última vez. Seu olhar também não será como o do segundo passado. Tudo pode mudar, o tempo todo. Muitas das vezes, estas mudanças de dão por nossas próprias vontades e próprias capacidades. Nem sempre, pois assim como nós olhamos e caminhamos à frente, o globo gira em sentido contrário e, no fim, sempre retornamos novamente ao ponto de partida, onde de semelhante à quando partimos, somente resta o marco. Aquela pegada do exato tamanho do seu pé, demonstrando que já esteve ali antes, em outra ocasião. Uns dizem dizer que é mesmo um regresso passar novamente passar por esta pegada perdida no passado. Entretanto, tudo pode mudar e o regresso pode ser sim um novo progresso. Não o fim de o ciclo, mas um caminho em torno da vida em espiral, onde as estradas jamais se cruzam.
Tudo que eu disse acima importava no segundo passado. Agora, meus pés já estão fora de casa. Caminharei de volta ao meu ponto de partida. Tantas coisas passei desde então. Construi uma família que parecia ser improvavel conseguir. Criar laços tão fortes com pessoas quase que desconhecidas em um espaço tão curto de tempo. Poder dizer que cada uma destas serão insubstituíveis.
Não haverão mais muitas coisas. Aquele sotaque baiano e sorriso frouxo. Brigas e discursões interminaveis entre duas pessoas que só quiseram sempre provar um para o outro que poderia ser e conseguir mais. Depois, abraços fraternos e a certeza de que o objetivo foi alcançado. Não haverá mais o pé da cinderela, o caixa dois, a recusa de um abraço, os cartões para as mulheres bonitas. Só haverá um espaço dentro de cada um, preenchido com lembranças e saudade.
Nunca o céu foi tão generoso em derramar suas lágrimas tão intensamente enquanto saía por aquela porta. As circunstâncias mostram que não voltarei a fazer parte daquela casa tão aconchegante e bela. Mas mesmo assim, mesmo após receber um abraço, outro abraço e outro, mesmo após ouvir muitas palavras de incentivo e de boa sorte, mesmo sabendo que não regressarei, não penso em dizer "adeus". Prefiro dizer "até breve" e fazer com que o mundo gire de uma forma que me faça voltar um dia, para ver minha bandeira, minha pegada no chão. Voltar melhor, para continuar essa caminhada em espiral ao redor do mundo. "Ecce sentiant animo finxerunt"




Dedicado à Meire, Luiza, L.Felipe, Daiane, Aline, Janaína e Evandro.
Muito obrigado por tudo.

Pense o que você quiser. (Y)

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